Documentário revela que Tutankamón morreu de doença congénita


 

Lusa/AO online   Ciência   21 de Out de 2014, 16:46

A primeira "autópsia virtual", praticada na múmia de Tutankamón, revela que o faraó egípcio morreu devido a uma doença congénita, contrariando a ideia de que terá morrido num acidente de carruagem, revela um documentário da estação de televisão BBC.

 

O documentário “Tutankamón: A verdade a descoberto”, que será emitido no próximo domingo pela estação de televisão BBC, apresenta exames realizados por vários peritos que comprovam que o jovem faraó, que governou no século XIV a.C., tinha os pés arqueados, provavelmente resultado de incesto.

A “autópsia” consistiu na análise de 2.000 scanners informáticos e provas de ADN que apontam que o faraó, que ocupou o trono a partir dos 10 anos - de 1332 a.C. a 1323 a.C. - nasceu de incesto entre dois irmãos, de quem herdou uma doença óssea.

As imagens da cabeça e do corpo revelam que Tutankamón tinha uma morfologia peculiar, com o lábio superior e os quadris quase femininos e os pés arqueados.

As análises indicam que, devido à forma dos seus pés, o faraó não conseguia caminhar sem o apoio a uma bengala nem conduzir carruagens, descartando-se a hipótese de ter morrido num acidente com esse veículo.

Os especialistas apontam que o buraco na cabeça, anteriormente atribuído a um possível golpe fatal, ocorreu depois da sua morte, provavelmente para derramar a resina utilizada no embalsamento.

“Era importante comprovar a sua capacidade de condução de uma carruagem e concluímos que não teria sido possível, especialmente pelos seus pés arqueados, que o impediam de se manter em pé sem ajuda”, anunciou Albert Zink, diretor do Instituto de Múmias de Itália, ao jornal The Independent.

Zink aponta que a causa mais provável da sua morte foi o agravamento da doença congénita, recordando que o jovem faraó terá sofrido de malária, mas reconhece ser "difícil" dizer se a doença foi ou não um fator importante na morte.

O perito, contudo, afirma que são necessárias mais provas genéticas com amostras dos seus antecessores, para estabelecer até que ponto os seus problemas de saúde contribuíram para a morte.

A “autópsia”, realizada aos restos mortais do faraó, que viveu há mais de três mil anos, revela, no entanto, que a única lesão anterior à sua morte foi no joelho sustentando a tese de morte por causas naturais.

A fratura no joelho “é um bom trauma” e aconteceu “pouco antes da sua morte e antes de ser embalsamado”, confirma o radiologista egípcio Ashraf Selim, que também participou no programa da BBC.

As possíveis limitações físicas foram também suportadas pelas 130 bengalas encontradas no túmulo no faraó.

Desde a descoberta do túmulo de Tutankamón, no Vale dos Reis em 1922, pelo britânico Howard Carter, a figura deste jovem faraó, apesar de ser de importância menor na história do Egipto, tem suscitado grande fascínio.

A análise dos seus restos mortais permitiram conhecer melhor a antiga cultura egípcia, especialmente os rituais funerários da realeza e também propiciou numerosas conjeturas sobre a possível causa da sua morte.

O assassínio por um sucessor, complicações provocadas por uma lesão sofrida num acidente de carruagem e os efeitos da malária, têm sido algumas das teorias mais vulgarmente aceites e agora refutadas por esta nova explicação, que destaca os problemas de saúde hereditários.

Sobre este documentário, Alan Clements, diretor da STV Productions, antecipa que se trata de “uma épica história de investigação que descobre a verdade do menino por detrás da máscara dourada”.


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