Documentário "Carlos do Carmo: Um homem no mundo" estreia-se hoje

Documentário "Carlos do Carmo: Um homem no mundo" estreia-se hoje

 

Lusa/AO Online   Nacional   9 de Abr de 2015, 08:30

O documentário

 

A estreia do documentário esteve prevista para o dia de Natal do ano passado, mas foi adiada por "questões levantadas pela Sociedade Portuguesa de Autores [SPA] sobre direitos autorais", disse na ocasião à Lusa o representante da distribuidora cinematográfica NOS, Saul Rafael.

Segundo o sítio da distribuidora na Internet, o documentário estreia-se hoje em quatro salas: Lisboa, no centro comercial Amoreiras, no Porto, no centro comercial Dolce Vita, em Coimbra, também num Dolce Vita, e em Almada, no Almada Forum.

“O Ivan quis oferecer-me este filme. Há ano e meio ele disse-me: ‘Vou fazer o filme da sua vida'. Andou atrás de mim, foi a Toronto, a Madrid, ao Brasil, e foi filmando, filmando e fazendo uma retrospetiva, e fez este documentário que é muito cheio de afetividade - o que ele tem sobretudo é afetividade”, disse à Lusa o fadista em dezembro último, e lembrou que o realizador “andou a bater de porta em porta”, para conseguir os necessários apoios financeiros.

Ivan Dias reforçou a ideia de Carlos Carmo e afirmou à Lusa que este “é um filme de afetos, de amizades, um filme de amor”.

“Eu diria que este é um filme de amor”, sublinhou o realizador que assinou também a produção de “Fados” (2007), de Carlos Saura, e que realizou, no ano passado, um documentário sobre o viola baixo Joel Pina.

“Neste filme, e só para os amigos, Carlos do Carmo revela-se, o que me permitiu, como realizador, poder mostrar este mundo que ele não pôde mostrar ao grande público, e só mostrava aos amigos”, disse Ivan Dias.

Entre as descobertas deste filme, há uma gravação de “Carlos do Carmo aos 11 anos a cantar, com uma voz de cana rachada, baiões de Luiz Gonzaga, mas já com toda a 'artistice', e depois percebemos como esse rapaz vai estudar para a Suíça, volta para Portugal, o pai morre, ele fica com a gestão da casa de fados [o Faia] nas mãos - casa que tinha a grande Lucília do Carmo à frente -, e é uma sucessão de coisas que lhe aconteceram, que, de certeza, ele não teria pensado, nem os pais tinham pensado para a vida dele. Ele é levado quase pelo ADN para cantar o fado”, contou o cineasta.

Embaixador da candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade, Carlos do Carmo realçou à Lusa a importância deste tipo de documentários, que não foi possível fazer no passado.

“É indispensável, para a memória do futuro, para as pessoas saberem quem nós éramos, ao que andávamos, como era o nosso feitio, e depois têm os discos para ouvir”, rematou.


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