Divisão da família comum dos chimpazés e humanos aconteceu mais cedo do que se pensava


 

Lusa/Açoriano Oriental   Ciência   24 de Mai de 2017, 18:44

A divisão da família comum dos grandes primatas, como os chimpanzés e os humanos, ocorreu várias centenas de milhares de anos mais cedo do que se pensava anteriormente, segundo dois estudos publicados na revista PLOS One.

 

Uma equipa internacional de cientistas chegou a esta conclusão ao analisar dois fósseis, com 7,2 milhões de anos, da espécie de hominídeo "Graecopithecus freybergi" que foram descobertos na região dos Balcãs, refere em comunicado a universidade canadiana de Toronto, que participou na investigação.

Segundo os cientistas, a separação da linhagem humana ocorreu no Mediterrâneo Oriental e não em África, como tem sido assumido.

A descoberta do local de origem do último antepassado comum dos chimpanzés e dos humanos tem sido uma questão essencial para a paleoantropologia (ramo científico que estuda os fósseis de hominídeos).

Até agora, os especialistas tinham assumido que as linhagens dos grandes primatas e dos humanos divergiram há entre cinco a sete milhões de anos e que os primeiros pré-humanos apareceram em África.

De acordo com a teoria do paleoantropólogo francês Yves Coppens, as alterações climáticas na África oriental poderão ter desempenhado um papel crucial nesta divisão.

Os dois estudos agora publicados, de uma equipa de investigadores da Alemanha, Bulgária, Grécia, Canadá, França e Austrália, apresentam um novo cenário para o começo da história da evolução humana.

O grupo analisou os dois únicos fósseis conhecidos do hominídeo "Graecopithecus freybergi": o de uma mandíbula inferior que foi encontrado na Grécia e o de um dente, um pré-molar superior, descoberto na Bulgária.

Ao examinarem os fósseis por meio da técnica de tomografia computorizada (que dá uma imagem processada em computador depois da exposição de um corpo a uma sucessão de raios-X), os cientistas visualizaram as suas estruturas internas.

Concluíram que as raízes dos pré-molares do "Graecopithecus freybergi" estão amplamente fundidas, uma característica dos homens modernos, dos homens primitivos e dos hominídeos, incluindo os "Ardipithecus" e os "Australopithecus".

A mandíbula inferior tem características adicionais de raízes dentárias que sugerem, de acordo com o grupo de investigadores, que a espécie "Graecopithecus freybergi" pode pertencer à linhagem pré-humana.

Além disso, o "Graecopithecus" é mais velho, em várias centenas de milhares de anos, do que o provavelmente mais antigo hominídeo de África, o "Sahelanthropus", que surgiu no Chade há entre seis a sete milhões de anos.

A equipa de cientistas datou os sedimentos dos sítios geológicos onde os vestígios de "Graecopithecus freybergi" foram encontrados, permitindo obter uma idade para os fósseis que oscila entre 7,2 e 7,1 milhões de anos, o que corresponde ao Messiniano, período geológico que, segundo os investigadores, acaba com a completa dessecação (secura extrema) do Mar Mediterrâneo.

Para um dos coautores da investigação e paleoantropólogo da Universidade de Toronto, David Begun, "esta datação permite direcionar a divisão chimpanzé-humano para a zona do Mediterrâneo".

Um dos líderes da equipa, a paleoantropóloga Madelaine Böhme, da Universidade de Tübingen, na Alemanha, defende que "a formação incipiente de um deserto no norte de África [o Saara], há mais de sete milhões de anos, e a disseminação de savanas no sul da Europa, podem ter desempenhado um papel fulcral na divisão das linhagens dos humanos e chimpanzés".


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