Dinheiro a menos e médicos a mais marcam debate sobre a saúde


 

Lusa/AO Online   Nacional   16 de Nov de 2011, 06:16

O debate do orçamento para a saúde ficou hoje marcado por "cortes", "gorduras" e falta de "folga" de um setor que até tem "médicos especialistas a mais", mas dinheiro a menos para obras como novos hospitais.

Ao longo de mais de quatro horas de debate na especialidade do Orçamento do Estado para 2012 na área da saúde - pontualmente interrompido pelo anúncio dos golos que deram a vitória à seleção nacional no jogo contra a Bósnia, a cargo do presidente da Comissão de Orçamento e Finanças, Eduardo Cabrita - as contas dominaram as dúvidas dos deputados.

Mas o debate ficou sobretudo marcado pela afirmação de Paulo Macedo de que, afinal, "há mil médicos especialistas a mais nos hospitais" portugueses, número que espantou o deputado João Semedo, para quem esta foi "uma afirmação bombástica".

O tema voltou mais tarde ao debate, mas desta vez com o secretário de Estado e Adjunto da Saúde, Leal da Costa, a tentar responder às dúvidas dos bloquistas sobre a afirmação do ministro.

Leal da Costa equacionou a hipótese destes mil especialistas a mais serem redistribuídos, nomeadamente pelos centros de saúde.

Alguns receios sobre o futuro do Serviço Nacional de Saúde (SNS), o destino de alguns hospitais e os resultados das medidas já anunciadas pelo governo marcaram igualmente as intervenções dos deputados.

Paulo Macedo respondeu a algumas das questões colocadas, mas atribuiu à falta de verbas - a que chamou "folgas" - a impossibilidade de dar resposta a alguns projetos, como o futuro hospital oriental de Lisboa, para onde está prevista a transferência dos hospitais de São José, Santa Marta, Capuchos, Desterro e Dona Estefânia.

Mais dinheiro para os hospitais Entidades Públicas Empresariais (EPE) também não vai ser atribuído, para já, conforme seria vontade de Paulo Macedo que lembrou o estado de emergência nacional que justifica, no fundo, a existência de um Orçamento do Estado que, confessou, não é o que gostaria de ter.

Um orçamento que, assumiu, nasce condenado a um défice de 200 milhões de euros para o SNS, mas que Paulo Macedo preferiu avançar já, a bem da "transparência".

O ministro optou por não responder a algumas questões diretas como o destino da Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, que tem sido indicada como uma instituição que poderá vir a encerrar, remetendo a resposta a estudos em curso.

Outras questões que ficaram por responder neste debate foram o valor das futuras taxas moderadoras e a decisão sobre a descomparticipação das pílulas anticoncecionais.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.