Zika

Difícil prevenção causa preocupação com doença a caminho da pandemia

Difícil prevenção causa preocupação com doença a caminho da pandemia

 

Lusa/AO online   Internacional   29 de Jan de 2016, 14:17

A epidemia de Zika que afeta sobretudo a América do Sul é de difícil prevenção, pois o vírus associado ainda é alvo de investigação, criando todas as condições para uma pandemia, disse um investigador brasileiro.

Vítor Laerte Pinto, investigador brasileiro ligado à Fundação Oswaldo Cruz, do Rio de Janeiro, e que está atualmente a trabalhar como cientista no Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) de Lisboa, admitiu que a "imprevisibilidade" associada ao vírus "assusta" e que uma vacina está "ainda longe" de aparecer no mercado.

"Estão reunidas todas as condições para que a epidemia passe a pandemia", alertou o especialista brasileiro, 39 anos, formado em Medicina Tropical e Infecciologia na Faculdade de Medicina de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro.

Até hoje, dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) adiantam que o Zika já chegou a 23 países, maioritariamente no continente americano, e, apesar de não haver números oficiais - as estimativas são subavaliadas -, sabe-se que o Brasil e a Colômbia são os dois Estados mais afetados pela doença.

O Ministério da Saúde brasileiro estima que o número de casos registados em 2015 entre os 500 mil e 1,5 milhões, incluindo pelo menos de 3.893 casos de microcefalia confirmados.

O vírus Zika é transmitido aos seres humanos por picada de mosquitos infetados e está associado a complicações neurológicas e malformações em fetos, não se transmitindo, "ao que se pensa, para já", de pessoa para pessoa, indicou Laerte Pinto, lamentando a ausência de estudos aprofundados sobre a doença e como combatê-la.

"Sabemos muito pouco sobre a doença. Sabemos que o Zika e a microcefalia estão associados, mas ainda está por confirmar se a relação é mesmo direta. Mais do que isso, desconhecemos também se o vírus se dissemina também de outras formas", frisou, salientando os resultados "ainda incipientes" a esse respeito.

Para Laerte Pinto, sabe-se já que, pela rapidez de disseminação, o mosquito adapta-se "facilmente" aos diferentes climas, facto que, num mundo global, em que as viagens de avião são muitas, poderá levar o vírus a outros pontos do globo, agravando a situação pandémica, sendo o continente africano o mais preocupante.

"Será muito preocupante", sublinhou o especialista brasileiro, lembrando o facto de, além de a doença estar ainda pouco estudada, torna-se difícil também a prevenção, por não haver ainda garantias de que possa ser erradicada através com inseticidas, dando como exemplo o caso do Brasil.

"O Brasil tem mais de 30 anos de experiência de eliminação do vetor, através de inseticidas e outros químicos, seguindo as normas definidas pela OMS e não conseguiu sucesso", alertou, realçando que as autoridades sanitárias locais tratavam anualmente cerca de 200 casos de microcefalia e que, só em 2015, esse total chegou quase a 4.000.

Laerte Pinto disse estar curioso sobre o que irá suceder na reunião de urgência da OMS, marcada para a próxima segunda-feira, em Genebra, admitindo que possa ser decretada a emergência sanitária internacional, "o que vai mexer na mobilidade das pessoas" em todo o mundo.

Portugal registou cinco casos de vírus Zika, transmitido por picada de mosquitos infetados e associado a complicações neurológicas e malformações em fetos, todos eles importados do Brasil, segundo o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA).

A Direção-Geral da Saúde (DGS) indicou que os sintomas e sinais clínicos da doença são, em regra, "ligeiros": febre, erupções cutâneas, dores nas articulações, conjuntivite, dores de cabeça e musculares.


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