Diariamente dois idosos são vitimas em Portugal


 

Lusa/AO on line   Nacional   1 de Out de 2010, 06:42

 Todos os dias, pelo menos dois idosos foram vítimas de crime no ano passado, a maior parte cometidos no seio familiar pelo cônjuge ou por um filho, segundo dados da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV).

A APAV vai lançar no dia 07 de outubro uma campanha de sensibilização sobre violência contra as pessoas idosas, que pretende formar, ensinar e sensibilizar, para que as pessoas compreendam o fenómeno e saibam como se procede, explicou à Lusa Maria de Oliveira, responsável pela campanha.

São vários os materiais que suportam a campanha: dois spots de televisão e um de rádio, cartazes, banners nos sites e folhetos informativos dirigidos principalmente a profissionais, porque os idosos recorrem muito a unidades de saúde.

“Se estes profissionais estiverem informados é mais fácil encaminhar e diagnosticar se existe violência doméstica. É um projeto com uma forte vertente de formação pedagógica e sensibilização”, explicou, a propósito do Dia Internacional do Idoso, que se assinala hoje.

Haverá também ações de sensibilização nos estabelecimentos de ensino dirigidas às crianças e uma campanha para o público em geral.

“Vamos lançar um manual de atendimento e compreensão deste tipo de situações: indicadores de violência sexual, física, psicológica e financeira. A violência pode ser praticada na rua (roubo, por exemplo), pode ser em casa (violência doméstica) ou contra uma pessoa que mora sozinha”, disse Maria de Oliveira, adiantando que a APAV tem relatos de casos de prestadores de cuidados que ficam com os bens do idoso de quem cuidam.

Será também lançado um manual que ajuda a compreender o fenómeno e a saber como se procede, dependendo de qual for a situação.

Maria de Oliveira adiantou que a maior parte dos crimes é praticada no âmbito da violência doméstica, mas que as pessoas idosas têm muita vergonha de assumir quando se trata da família, sobretudo filhos, pois sentem que é assumir que erraram como pais.

“Também há muitos casos de dependência emocional. São situações complicadas para a pessoa admitir que está a ser vítima de crime e violência, sobretudo a psicológica (os insultos, as ofensas, a depreciação permanente), que é muitas vezes pior do que a física”, acrescentou.

As vítimas são maioritariamente idosos entre os 65 e os 75 anos, alvo de maus-tratos físicos e psíquicos, praticados em primeiro lugar pelo cônjuge (1622 processos em 2009) e pelo filho ou filha, em segundo lugar, (1466 processos no mesmo ano).

Entre 2000 e 2009 verificou-se um aumento de 120 por cento do número de casos de pessoas idosas vítimas de crime (mais 349 casos).

O que potencia a violência é normalmente o consumo de substâncias aditivas ou um historial de violência anterior, mas também há violência que parte das pessoas que tomam conta dos idosos e não têm capacidade para tal.

Maria de Oliveira alertou ainda para outra forma de violência que é o internamento compulsivo num lar.

“Uma pessoa internada contra vontade, pode ser considerado sequestro. Isto acontece. Quando as pessoas querem sair da instituição e não deixam, também é considerado sequestro”, alertou, salvaguardando contudo que “em situação de alguma demência, não será assim, mas tem que ser nomeado tutor”.


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