Diabetes afecta 900 mil portugueses

Diabetes afecta 900 mil portugueses

 

Lusa/AO Online   Nacional   14 de Nov de 2010, 07:40

O Dia Mundial da Diabetes assinala-se hoje com a primeira “Corrida pela Diabetes” que pretende alertar as pessoas para uma doença que atinge cerca de 900 mil pessoas em Portugal, das quais 400 mil não estarão diagnosticadas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a diabetes é a quarta causa de morte na maioria dos países desenvolvidos, morrendo a cada 10 segundos uma pessoa vítima da doença.

Prevê-se que os índices de mortalidade aumentem 25 por cento na próxima década caso não sejam tomadas as medidas necessárias para travar o avanço da epidemia, pondo em causa a atual esperança média de vida, alerta a OMS, lembrando que esta doença tem graves implicações a nível cardiovascular, renal, de amputações e cegueira.

Organizada pela Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), a Sociedade Portuguesa de Diabetologia e a Fundação Ernesto Roma, a corrida prende chamar a atenção para a importância do controlo e prevenção da doença, especialmente através do exercício físico e da alimentação saudável.

A corrida de 2,8 quilómetros tem início na Rua da Escola Politécnica e termina nos Restauradores, em Lisboa.

“O combate à diabetes não depende só dos profissionais de saúde. É imprescindível envolver todas as estruturas da sociedade civil e investir na prevenção e no controlo da diabetes através da sensibilização da população”, sensibilizando as pessoas para atividades desportivas e para hábitos de vida saudável, afirma o presidente da APDP, Luís Gardete Correia.

No Dia Mundial da Diabetes, o coordenador do Programa Nacional de Prevenção e Controlo, José Manuel Boavida, alerta para os custos da doença, que em Portugal é de, pelo menos, mil milhões de euros, o equivalente a 7 por cento da despesa em saúde e 0,7 por cento do Produto Interno Produto português.

Os últimos dados do Observatório Nacional da Diabetes permitem quantificar o que custa a diabetes: 37 milhões de euros em testes de glicemia (para ver o açúcar no sangue) e 400 milhões de euros em internamentos, além dos medicamentos, cujos gastos ascenderam a 109 milhões de euros em 2008.

Para José Manuel Boavida, os custos da doença só podem ser minorados através de processos de educação estruturados, organizados e coordenados por equipas multidisciplinares.

Segundo o responsável, “essa educação permitirá, através do estímulo para a atividade física e para uma alimentação mais saudável, diminuir a necessidade de comprimidos”.

“Enquanto for mais compensador, do ponto de vista do sistema, passar um medicamento do que estar a ensinar um doente é óbvio que [os médicos] vão continuar a medicar, porque lhes sai mais eficaz do ponto de vista de ver mais doentes”, comenta.

Mas, alerta, “se a tónica são os números de ver mais doentes os resultados serão desastrosos ao nível dos custos dos medicamentos”.


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