Dezenas de pessoas manifestam em Lisboa solidariedade ao juiz Garzón


 

Lusa / AO online   Nacional   24 de Abr de 2010, 19:39

Perto de 50 pessoas juntaram-se hoje frente à embaixada de Espanha em Lisboa, num gesto simbólico em solidariedade com o juiz espanhol Baltasar Garzón, que terá de responder em tribunal por tentar investigar crimes cometidos durante a ditadura franquista.

A concentração de apoio ao juiz, que se tornou conhecido internacionalmente por ter mandado prender o ditador chileno Augusto Pinochet, surgiu na sequência de uma iniciativa na rede social Facebook, disse à Lusa o advogado Agostinho Machado, um dos organizadores.

"Subjacente ao caso Garzón existem as vítimas do franquismo e da guerra civil, crimes contra a humanidade que do nosso ponto de vista não prescrevem e não são amnistiáveis. O juiz propunha-se fazer uma investigação, devolver as ossadas das vítimas (enterradas em valas comuns) às respetivas famílias e não deixar apagar a memória por esse crimes", defendeu.

No entender do advogado "é chocante que um juiz que se propõe fazer justiça e que foi um paladino da justiça no seu país (...) venha ele próprio a ser pronunciado por um crime de prevaricação".

"Baltasar Garzón é uma figura incontornável da justiça internacional", disse à Lusa Sofia Tenório Guimarães, outra dinamizadora da iniciativa, acrescentando que a acusação contra o magistrado é "uma aberração" e trata-se de um ataque da extrema direita espanhola ao Estado democrático.

"Vim cá porque me parece que Baltasar Garzón é um juiz que fez muito pela democracia", explicou Ursula Aguiar, uma economista austríaca que vive em Portugal e se juntou a este gesto.

As queixas contra Baltasar Garzón partiram de organizações de extrema direita que o acusam de ter montado um "artifício jurídico" para abrir um inquérito aos desaparecidos da guerra civil espanhola (1936-1939) e do regime do general Francisco Franco (1936-1975), ignorando uma lei de amnistia geral aprovada pelo Parlamento espanhol em 1977, dois anos depois da morte de Franco.

Numa decisão polémica, o juiz do Supremo Tribunal espanhol Luciano Varela deliberou no passado dia 07 que Garzón terá que responder no tribunal pela acusação e deu às partes um prazo de 10 dias para se pronunciarem.

A concentração de Lisboa coincidiu com iniciativas idênticas noutras cidades europeias, mas um dos organizadores admitiu que a mobilização na capital portuguesa ficou muito aquém do que era esperado.


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