Deteção precoce ao VIH caiu e diagnósticos tardios são o dobro da Europa

Deteção precoce ao VIH caiu e diagnósticos tardios são o dobro da Europa

 

Lusa/AO online   Nacional   29 de Nov de 2012, 14:18

A taxa de diagnósticos tardios ao VIH/sida em Portugal é de 65%, o dobro da registada na Europa, um número que preocupa as autoridades de saúde que registaram menos quatro mil testes precoces à doença no último ano.

“Quando 65% chegam tardiamente para fazer o teste, essa é a prioridade”, afirmou António Diniz, coordenador do Programa Nacional de prevenção e Controlo para a infeção VIH/Sida, que apresentou hoje os dados mais recentes, durante uma conferência para assinalar os 20 anos da Abraço.

Segundo António Diniz, entre 2010 e 2011 verificou-se uma redução nos programas de prevenção: troca de seringas (menos um milhão), diagnóstico precoce (menos quatro mil) e distribuição de preservativos (menos um milhão).

Ao nível do diagnóstico precoce, em 2010 realizaram-se 23.966 testes, ao passo que em 2011 esse número foi de 19.620, uma quebra que o coordenador não sabe explicar.

“Não tenho uma justificação estudada para apontar a origem. Não foi falta de testes, não encerraram nem houve alterações nos CAD [Centro de Aconselhamento e Deteção] ”, afirmou, sublinhando que não ficou admirado e que prefere aguardar para ver se há uma sustentabilidade desta redução no tempo.

De qualquer forma, admite que o diagnóstico tardio (já com critérios de sida ou contagem de linfócitos CD4 abaixo dos 350) é uma das principais preocupações e justifica que a prioridade no combate à Sida seja posta ao nível da prevenção e do diagnóstico precoce.

A taxa de diagnósticos tardios na Europa anda entre os 30% e os 35%, em Portugal ronda os 65%, pelo menos é o que revelam os poucos dados existentes em Portugal e que resultam de estudos hospitalares em Lisboa e no Porto.

O objetivo para 2012-2016 é o alargamento da rede para realização dos testes, estando para já decidido que o primeiro passo será no sentido de alargar aos centros de saúde, onde há uma maior proximidade entre o doente e o médico.

Numa referência aos constrangimentos orçamentais, o responsável afirmou que todos os estudos que visarem resultados concretos em termos de alcançar as prioridades – como por exemplo a caracterização das populações mais vulneráveis – serão os considerados em termos de viabilidade orçamental, pois o critério é “urgência e necessidade”.

António Diniz adiantou ainda que serão procuradas fontes externas de financiamento para “assegurar uma prevenção o mais alargada possível”.

O programa troca de seringas trocou no ano passado 1,21 milhões de seringas, contra 2,66 milhões trocadas em 2010, enquanto a distribuição de preservativos rondou os 5 milhões, face aos seis mil distribuídos em 2010.

Sobre a quebra na distribuição dos preservativos, António Diniz afirma que, apesar de haver verba, “os procedimentos administrativos bloquearam a capacidade de resposta”, o que justifica também que “vá haver sobretudo uma queda, ainda maior, este ano”.

O objetivo é aumentar de cerca de 82% para 95% o número de pessoas que usam preservativos em relações ocasionais.

A prevalência do VIH/Sida em Portugal é de 0,6% a 0,7% (cerca de 70 mil pessoas), segundo estimativas da ONUSIDA, sendo que entre 15 e os 49 anos haverá cerca de 48 mil casos.

A mortalidade por Sida estabilizou entre 2006 e 2011 entre os 22% e os 23%. Em 2011, 23% dos casos notificados como Sida faleceram no mesmo ano.

Desde 1983 até 31 de outubro de 2012 foram notificados 42.350 casos de infeção, dos quais quase 41% eram indivíduos já com critérios de diagnóstico de Sida.

No mesmo período nasceram 353 crianças infetadas e em cada cem mães infetadas, duas têm crianças também infetadas por VIH.


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