Desigualdade é um problema "altamente destabilizador"


 

LUSA/AO online   Internacional   26 de Jun de 2017, 19:49

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, afirmou hoje que a desigualdade é um fenómeno "altamente destabilizador" e que precisa de ser combatido com investimento em capital humano, educação e inovação

"A globalização, a competição, a tecnologia criaram riqueza, mas também produziu uma enorme desigualdade, porque uma enorme parte da população não beneficia dessa riqueza. É um fenómeno altamente destabilizador para todas as áreas da nossa sociedade, incluindo a estabilidade financeira”, afirmou Mario Draghi, quando questionado por um estudante de economia no primeiro ‘ECB Youth Dialogue’, um diálogo com jovens que decorreu esta tarde no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), em Lisboa.

“Será este um fator seriamente destabilizador contra o qual devemos lutar? Sim, é”, sublinhou Mario Draghi, apontando a educação, a inovação e o investimento em capital humano entre as formas de resolver o problema - áreas da intervenção dos governos nacionais (salientando que isso não é o seu papel intervir nessas áreas).

Mario Draghi sublinhou que a principal arma do BCE é garantir a estabilidade dos preços, ou seja, atingir uma inflação próxima, mas abaixo de 2%, porque, explicou, uma inflação muito baixa “beneficia mais os credores”.

O líder do BCE afirmou ainda que “a maior fonte de desigualdade é o desemprego”, lembrando que o desemprego jovem é ainda muito elevado na zona euro, com diferenças entre os países.

Questionado por um outro estudante sobre como conciliar numa única política monetária as necessidades de diferentes países da zona euro, Draghi afirmou que “só existe uma zona euro, não diferentes países”.

Ainda assim, o presidente do BCE tentou comparar os Estados Unidos com a zona euro.

“Deixem-me fazer uma comparação com os Estados Unidos. Nos EUA existem diferentes estados que crescem a diferentes ritmos, que podem gerar desequilíbrios. Nos EUA existe um orçamento federal, há transferências entre diferentes partes dos EUA para compensar os possíveis desequilíbrios desses ritmos diferentes”, lembrou.

No caso da união monetária, Draghi disse que “não é uma união de transferências, segundo o Tratado de Maastricht” e por isso não há um orçamento federal.

“Temos outras formas de mitigar os desequilíbrios que nascem de diferentes ritmos. É por isso que, na zona euro, a convergência, nomeadamente a capacidade de tentar ter como objetivo crescer ao mesmo ritmo, é fundamental”, disse, acrescentando que isso significa que os países não precisam de ir ao mesmo ritmo, mas “a ritmos que não criem desequilíbrios”.


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