Desempregados e estudantes arrecadam dinheiro no verão como monitores em Lisboa

Desempregados e estudantes arrecadam dinheiro no verão como monitores em Lisboa

 

Lusa/AO Online   Nacional   28 de Ago de 2015, 07:53

Jovens desempregados e estudantes aproveitam o verão para arrecadar algum dinheiro através de um emprego temporário como monitores, cuidando de crianças em campos de férias nas freguesias da cidade de Lisboa.

Sem trabalho, João Pereira, de 26 anos, decidiu candidatar-se a monitor do campo de férias da freguesia onde mora, Campolide. Apesar de não ter experiência com crianças, o jovem enviou o currículo e foi chamado para trabalhar nos meses de julho e agosto, recebendo um ordenado “entre 500 e 600 euros por mês”.

A aparar as quedas dos miúdos ou a ajudar-lhes a apertar os cordões das sapatilhas, Patrícia Gonçalves, de 23 anos, também estava desempregada até vir ocupar, temporariamente, a função de monitora, que representa um importante contributo financeiro.

“Vamos à Aventura” é o desafio lançado pela Junta de Freguesia de Campolide, com atividades de ocupação de tempos livres para crianças dos seis aos 17 anos, que acolhe entre 300 e 400 menores, nos meses de julho e agosto, empregando cerca de 15 monitores com uma remuneração de 200 euros por semana.

O autarca de Campolide, André Couto, disse à Lusa que “é um programa de cariz social, não só em relação às crianças como também aos monitores”, e destinado, preferencialmente, a pessoas da freguesia: estudantes universitários, que aproveitam para juntar algum dinheiro para pagar as propinas, e jovens desempregados, que têm filhos e para os quais “esse dinheiro vai ser também um paliativo para que possam enfrentar de forma menos penosa os próximos meses”.

Vestidas com t-shirts brancas e chapéus verdes, as crianças divertem-se em locais como o espaço infantil do Parque Eduardo VII.

“Vamos à praia e aos museus e para nós os monitores são meus”, cantam os miúdos, com toda a pujança.

Para a pequena Lara Santos, de 11 anos, “este campo de férias é muito divertido” e “os monitores são queridos”.

João Leite, de 13 anos, sente-se “como se estivesse em casa”, porque os monitores são “muito fixes”: “Brincam, mas quando é para ralhar, ralham”.

Durante o verão, a praia de Carcavelos, em Cascais, é ‘invadida’ todas as manhãs por uma mancha de amarelo e azul, cores que não passam despercebidas e identificam a chegada das crianças e dos monitores das animações da freguesia de Carnide.

A estudar desporto na Universidade Lusófona de Lisboa, Pedro Heitor, de 23 anos, trocou as férias da faculdade para trabalhar como monitor.

“Tinha decidido mesmo que queria vir para aqui, tive a sorte de me quererem também e não trocava isto por nada”, comentou o jovem, para quem a remuneração “acaba por ser um bónus do trabalho”: “Para quem gosta é gratificante já por si, o dinheiro vem por acréscimo”.

A acabar o 12.º ano, Fabiana Cruz, de 19 anos, já tinha experienciado o campo de férias como voluntária, este ano inscreveu-se como monitora e, se não tivesse conseguido ficar colocada, teria que ir à procura de outro emprego de verão.

Tal como Campolide, Carnide dá preferência, no recrutamento, a pessoas da freguesia que sejam jovens estudantes, universitários ou num contexto de formação profissional, rejeitando a ideia de ir buscar pessoas aos centros de emprego.

“Camuflar os números do desemprego para nós não faz qualquer tipo de sentido”, afirmou o presidente da Junta de Freguesia de Carnide, Fábio Sousa, considerando que “deve haver uma verdadeira política de apoio ao emprego”, já que o problema “não se resolve com recurso a emprego sazonal”.

A adesão ao campo de férias de Carnide tem vindo a crescer “bastante”, contabilizando-se este ano mais de 2.500 crianças, mais de 300 monitores e 14 coordenadores. A remuneração dos jovens monitores é de cerca de 250 euros por cada 15 dias de trabalho, disse o autarca.

Madalena Massano, de 11 anos, e Miguel Martins, de 10, afirmam gostar de todas as atividades, desde as idas à piscina e à praia às visitas aos museus.

Para muitas crianças os monitores são um exemplo a seguir, pelo que desejam também terem essa responsabilidade um dia. Sem papas na língua, o reguila Miguel Martins contrariou a tendência, contando que não gostava de ser monitor porque “são muito chatos”.

 


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