Descobertos dois quadros do pintor francês Fragonard perdidos desde 1786


 

Lusa/Açoriano Oriental   Internacional   13 de Mai de 2017, 18:24

Um especialista da leiloeira Tajan descobriu em França dois quadros do pintor francês do século XVIII Jean-Honoré Fragonard, dados por desaparecidos desde 1786, que o Governo francês quer classificar como tesouros nacionais, revelou o diário "Le Figaro".

 

Os dois quadros, "Le Jeu de la palette" e "Le Jeu de la bascule", estão avaliados em seis milhões de euros e encontram-se impedidos de sair de território francês, com a abertura, na quarta-feira, do processo de classificação como tesouro nacional, pelo Governo de Paris.

"Le Jeu de la palette" e "Le Jeu de la bascule" representam cenas "galantes" típicas da segunda metade do século XVIII, numa representação "monumental de natureza e arquitetura" e, segundo o especialista da leiloeira, Thaddée Prate, foram pintados em 1761, após o regresso de Fragonard de Roma.

Os dois quadros foram descobertos num palácio da Normandia, no noroeste da França, em julho do ano passado.

O processo de classificação agora aberto dá preferência na aquisição a um museu nacional, como o Louvre. Porém, se ao fim de 30 meses a operação não se concretizar, o leiloeiro poderá solicitar um certificado de livre circulação dos quadros, para os vender no mercado internacional.

A leiloeira irá expor as duas pinturas, a 09 e 10 de junho, nas suas salas.

A identificação da autoria foi feita por Thaddée Prate quando viu os quadros expostos, entre outras obras de menor qualidade, num palacete da Normandía, onde se deslocou, para fazer uma avaliação para uma companhia de seguros.

O diretor do departamento de arte antiga da leiloeira disse que os proprietários - que não identificou - especulavam se o autor poderia ser Boucher ou Hubert Robert, tendo rapidamente atribuído a autoria a Fragonard, pelas figuras representadas.

As duas obras estavam dadas por extraviadas desde 1786, em vésperas da Revolução Francesa (1789), após a morte do colecionador Bergeret de Grandcourt, mecenas de Fragonard e para quem o artista os tinha pintado.

Segundo a Comissão Consultiva dos Tesouros Nacionais de França, "estes dois quadros eram procurados há muito tempo" e são de "grande interesse para o património nacional" de França, "do ponto de vista da história da arte" e, por isso, "devem ser considerados tesouros nacionais".

De Fragonard, em museus portugueses, destacam-se "Regato" e "A ilha do amor", da Fundação Calouste Gulbenkian, que detém igualmente desenhos do artista francês, assim como "Duas irmãs", que se encontra exposto no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, pintura que antecedeu o quadro do mesmo título, da coleção do Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque.

"O baloiço" ("L'escarpolette", 1767", da Wallace Collection, em Londres, é um dos mais conhecidos quadros de Fragonard e da pintura francesa do final do século XVIII.

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