Descoberto o mais antigo embrião de um lagarto


 

Lusa/AO online   Ciência   16 de Jul de 2015, 18:51

O mais antigo embrião de um lagarto foi descoberto em pequenos ovos fossilizados com 125 milhões de anos, encontrados na Tailândia, em 2003, revelaram cientistas num estudo publicado na quarta-feira, na revista PLOS ONE.

Há 12 anos que os investigadores hesitavam se o animal "escondido" nos ovos, do tamanho de uma moeda, era um pequeno dinossauro carnívoro ou um pássaro primitivo, de acordo com análises feitas anteriormente às cascas dos ovos fossilizados.

Contudo, imagens de raios-X de alta resolução dos esqueletos embrionários fossilizados, realizadas pelo Laboratório Europeu de Radiação de Sincrotrão, em Gronoble, França, mostraram que se trata, afinal, de lagartos do grupo Anguimorpha. O grupo agrega diversas espécies, como os dragões-de-komodo e os mosassauros (estes últimos um tipo de répteis marinhos já extintos).

Depois de ter passado os esqueletos pelos raios-X, a equipa liderada pelo investigador Vincent Fernandez, da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, reconstituiu uma imagem em 3D. Apesar de os embriões já estarem mortos antes da eclosão dos ovos, os seus esqueletos estavam bem desenvolvidos.

Após a identificação de um dos ossos que servem para articular a mandíbula, foram reunidos todos os elementos do esqueleto. No final, o animal foi identificado.

A descoberta de um lagarto num ovo de casca dura surpreendeu os cientistas, uma vez que os lagartos põem, geralmente, ovos de casca mole.

Até à data, apenas os geckos, pequenos lagartos dos países quentes, eram conhecidos por porem ovos de casca dura.

"A identificação de embriões de lagarto abre novos domínios científicos, sobre a evolução da reprodução da espécie e sobre a diversidade dos ovos produzidos por diferentes linhagens de lagartos", assinala o Laboratório Europeu de Radiação de Sincrotrão, citado pela agência noticiosa AFP.

O Laboratório Europeu de Radiação de Sincrotrão é uma infraestrutura de investigação, cofinanciada por vários países europeus, incluindo Portugal, que "manobra uma poderosa fonte de raios-X", salienta no seu portal a Fundação para a Ciência e Tecnologia, entidade pública nacional que subsidia a pesquisa científica.


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