Descartado controlo sistemático das entradas nos comboios em França

Descartado controlo sistemático das entradas nos comboios em França

 

Lusa / AO online   Internacional   23 de Ago de 2015, 12:22

A empresa ferroviária francesa SNCF descarta um controlo sistemático de todos os passageiros como a efetuada nos aeroportos, já que o seu volume de viajantes é 20 vezes superior, apesar da tentativa de ataque terrorista ao comboio Thalys.

 

O presidente dos Caminhos de Ferro Nacionais (SNCF), Guillaume Pepy, disse numa entrevista publicada no "Le Journal du Dimanche" que "essa não é uma pista com que se possa contar".

"Basta lembrar os números: o comboio tem em França 20 vezes mais tráfego do que o transporte aéreo", o que pressuporia multiplicar por 20 as medidas de controlo que se fazem no embarque nos aeroportos.

Na sexta-feira, Ayoub el-Kahzzani, um marroquino de 26 anos, entrou num comboio que fazia o trajeto Amesterdão-Paris armado com uma espingarda automática Kalashnikov com nove carregadores de munições, uma pistola e uma faca.

Dois militares norte-americanos conseguiram neutralizar o atirador, mas este ainda conseguiu disparar a arma. Um dos militares ficou ferido, tal como um outro passageiro.

Em França, como na Bélgica e nos Países Baixos, países percorridos pelo Thalys, o acesso às plataformas de comboios não é restrito e a bagagem não tem que passar por raio-X.

A única exceção é a dos comboios Eurostar Paris-Londres, onde além da bagagem passar pelos raios-X, os passageiros passam o controlo de passaportes, uma vez que o Reino Unido não pertence ao Espaço Schengen, o que obriga os viajantes a chegar com uma antecipação de 45 minutos face à partida.

A implementação de tais controlos foi proposta para comboios de alta Velocidade (TGV), à semelhança do que sucede com o AVE em Espanha, mas a diferença é que o tráfego de passageiros em França para esse tipo de comboios é cerca de cinco vezes superior.

Pepy insistiu que "a única resposta a um ataque terrorista num comboio ou na rua é o trabalho da polícia e dos serviços secretos" e sobre este assunto não quis revelar quais as linhas privilegiadas pelo Governo por razões de confidencialidade.

O responsável lembrou também que existe um plano antiterrorista, o Vigipirate, que desde os ataques de janeiro em Paris foi reforçado ao seu mais alto nível na região de Paris, o que significa que há 7.000 soldados mobilizados para monitorizar os 3.000 postos em todo o país, apoiados pela polícia, bem como 3.000 agentes armados da SNCF e mais 1.250 autoridades mobilizadas para o metropolitano de Paris.

Além disso, depois do "ataque bárbaro", como classificou Pépy o atentado ao Thalys, foi criado um número de telefone especial (3117) para que qualquer pessoa possa assinalar factos anormais ou perturbadores que ocorram numa estação ou num comboio.

A par destas questões de segurança, a ação de El Kahzzani gerou uma polémica sobre se o comportamento da tripulação do Thalys foi adequado, face ao que relataram várias testemunhas oculares, em particular o ator Jean-Hugues Anglade que acusou os funcionários da companhia férrea de, durante o ataque, fecharem-se na carruagem principal (que opera o comboio) e recusarem-se de abrir a porta, apesar dos pedidos de ajuda dos passageiros.


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