Derrocadas controladas em 40 praias do Algarve desde acidente de Maria Luísa em 2009

Derrocadas controladas em 40 praias do Algarve desde acidente de Maria Luísa em 2009

 

Lusa / AO online   Nacional   18 de Ago de 2012, 11:58

As autoridades já provocaram derrocadas controladas em 40 praias algarvias nos três anos que decorreram desde o desmoronamento de um penedo na Praia Maria Luísa, Albufeira, que resultou na morte de cinco pessoas, disse à Lusa fonte da ARH/Algarve.

 

O desmoronamento ocorreu há precisamente três anos, às 12:00 do dia 21 de agosto de 2009, resultando na morte de cinco pessoas e ferimentos em outras duas, no que constituiu o maior acidente com arribas no país desde que há registos oficiais.

Desde então, a Administração da Região Hidrográfica do Algarve (ARH/Algarve) procedeu a 40 derrocadas controladas, isto é, a intervenções de saneamento que têm por fim antecipar a queda natural de uma arriba ou penedo (leixão) em maior risco.

A ARH/Algarve executou cinco daquelas intervenções ainda em 2009, 18 em 2010, oito em 2011 e nove em 2012, disse à Lusa o diretor daquele organismo, Sebastião Teixeira.

Segundo o mesmo responsável, o grande número de saneamentos de 2010 deveu-se a um número anormal de derrocadas naturais, devido ao mau tempo que se fez sentir no inverno 2009/2010.

Sublinhou ainda que o número de praias intervencionadas não é o mesmo número de intervenções, já que em cada praia são feitos por norma duas a três operações de desmonte, com recurso a maquinaria pesada.

Este ano as operações decorreram nas praias da Oura, Santa Eulália, Maria Luísa, Aveiros (todas no concelho de Albufeira), Tremoços (concelho de Lagoa), Prainha, Vau, Barranco das Canas (Portimão) e Batata (Lagos).

Em declarações à Lusa, o presidente da Câmara de Albufeira, Desidério Silva, reconheceu que aquelas operações são feitas “com prejuízo da beleza natural das praias”, mas garantiu que a segurança é maior agora do que há três anos.

“Temos feito ações de sensibilização dos banhistas. Infelizmente nem todas entendem e algumas chegam a ser mal-educadas, mas aumentámos a segurança, em grande parte também devido às placas que estão a ser colocadas no terreno com a ajuda da autarquia”, salientou.

Nos últimos anos, a ARH algarvia distribuiu cerca de 200 placas informativas – com indicação das zonas de risco nos areais - por 75 praias da região, nos sete concelhos em que existem praias com arribas: Albufeira, Silves, Lagoa, Portimão, Lagos, Vila do Bispo e Aljezur.

“Há placas em todos os acessos às praias e há praias com mais de um acesso, daí que haja muito mais placas do que praias”, enunciou Sebastião Teixeira, sublinhando que as autoridades tiveram o cuidado de colocar placas mesmo em praias selvagens, que não são consideradas zonas balneares.

Além daquelas placas, foram também colocadas nos últimos anos cerca de 200 tabuletas indicativas de arriba, de cor amarela, “que têm um efeito recordatório para os banhistas mais distraídos”, disse.

Legislação saída a 29 de julho (decreto-lei 159/2012) define novas regras para o uso das praias com arribas, ao criar a figura das praias de uso limitado e a da zona interdita, que deverá estar limitada por vedação.

Ao contrário de impor multas a quem estiver na zona de risco, a nova legislação responsabiliza o banhista pelos danos provocados numa vedação e impõe-lhe coimas se as ultrapassar, que serão agravadas se estiver com crianças.

“A diferença deste decreto-lei é que, em vez de estarmos a condicionar a utilização, como acontecia com a legislação anterior, informamos as pessoas e deixamo-las decidir”, afirmou Sebastião Teixeira.

Não há zonas interditas nas praias do Algarve.


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