Deputado do PCP/Açores questiona condições de transporte aéreo na ilha Terceira

Deputado do PCP/Açores questiona condições de transporte aéreo na ilha Terceira

 

Lusa/AO Online   Regional   6 de Dez de 2014, 10:56

O deputado do PCP no parlamento açoriano alertou ontem para as incertezas das condições de transporte aéreo na Terceira no próximo ano, tendo em conta que nenhuma companhia aérea de baixo custo manifestou interesse em voar para a ilha.

"Agora que se começa a levantar o véu sobre o novo modelo de transportes aéreos entre a região e o continente as preocupações sobre as suas supostas virtualidades aumentam. E as interrogações sobre a Terceira são muitas. Afinal quem é que vai assegurar o transporte aéreo dos terceirenses para o exterior?", questionou o deputado do PCP na Assembleia Legislativa dos Açores.

Aníbal Pires falava numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo, fazendo um balanço de cinco dias de visita à ilha Terceira.

A 31 de outubro, o Instituto Nacional da Aviação Civil (INAC) informou todas as operadoras aéreas de que o Governo pretendia liberalizar, com efeitos operacionais no verão IATA 2015, o transporte aéreo entre a ilha Terceira e o território continental, bem como entre Ponta Delgada (Aeroporto João Paulo II) e o território continental, ou seja, as rotas Lisboa/Ponta Delgada/Lisboa, Lisboa/Terceira/Lisboa, Porto/Ponta Delgada/Porto e Porto/Terceira/Porto.

A EasyJet e a Ryanair já anunciaram que vão começar a voar no próximo ano para Ponta Delgada, mas sobre as rotas para a ilha Terceira dizem apenas que estão a estudar essa possibilidade para mais tarde.

"Tratando-se de uma rota liberalizada, seria expetável que as tão disponíveis companhias ‘low cost' para aqui voassem, mas, até ao momento, não há conhecimento de nenhuma que tenha mostrado interesse. Voar para os Açores sim, mas apenas para São Miguel", alertou Aníbal Pires, acrescentando que está por saber "quem e em que condições vai assegurar o transporte aéreo dos terceirenses".

O novo modelo de ligações aéreas para os Açores, que estará em vigor em 2015, garante que os residentes no arquipélago pagarão, no máximo, 134 euros pelas viagens ao continente e, se a companhia aérea lhes cobrar mais do que isso, serão posteriormente reembolsados da diferença pela administração central.

O deputado do PCP salientou, no entanto, que no caso dos destinos com rotas liberalizadas "não há um teto máximo para as tarifas", por isso as pessoas necessitam de "disponibilidade financeira" para adquirirem os bilhetes, mesmo que depois recebam um reembolso.

Aníbal Pires acusou ainda o Governo Regional de não ter "salvaguardado o grupo SATA", acrescentando que ainda não é conhecido o plano estratégico da companhia aérea açoriana para 2015-2020.

Durante cinco dias, o deputado comunista reuniu-se com os autarcas de Angra do Heroísmo e da Praia da Vitória, com a Associação de Jovens Agricultores Terceirenses, o diretor do Matadouro da Ilha Terceira, a Comissão de Trabalhadores da Base das Lajes, o Sindicato dos Professores da Região Açores e a Inspeção Regional de Trabalho.

No balanço, defendeu também, sobre a Base das Lajes, que o Governo Regional deve, junto da Assembleia, do Governo e do Presidente da República, exigir "que os Estados Unidos cumpram o Acordo Bilateral de Cooperação e Defesa e que se salvaguardem os interesses dos trabalhadores e da região".

O deputado considerou ainda que o Hospital da Ilha Terceira necessita da "intervenção de uma entidade externa que valide procedimentos e protocolos médicos", para que os utentes dos Cuidados Intensivos tenham garantias da qualidade.

Em fevereiro, os enfermeiros desta unidade entregaram um abaixo-assinado à administração denunciando "falta de rigor técnico-científico" e de "princípios éticos e deontológicos" e "redução do investimento terapêutico", entre outras irregularidades, mas só em outubro foi aberto um inquérito interno, depois de o caso ter sido denunciado na comunicação social local.


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