Deposição de velas no Santuário de Fátima quase tão antiga como as "aparições"

Deposição de velas no Santuário de Fátima quase tão antiga como as "aparições"

 

Lusa/AO Online   Nacional   10 de Mai de 2017, 08:21

A colocação de velas no santuário de Fátima, onde peregrina o papa Francisco na sexta-feira e no sábado, é quase tão antiga como as "aparições", em 1917, sendo o tocheiro local de passagem obrigatória de milhões de fiéis.

 

“Não temos prova documental logo desse ano [1917] em relação às velas, mas sabemos que desde o início os peregrinos deixam velas nos lugares que consideram sagrados”, afirmou hoje à agência Lusa o diretor do Museu do Santuário de Fátima, Marco Daniel Duarte.

Segundo Marco Daniel Duarte, em Fátima, a prova documental do uso de velas remonta a 1920.

“Em 1920, a imagem em maio não pode vir para a Capelinha das Aparições por causa das proibições políticas e só vem no mês de junho. Quando vem, há, de facto, já um relato de velas à volta da imagem”, precisou.

O tocheiro, localizado junto à Capelinha das Aparições, é um local de passagem obrigatória para milhões de fiéis que peregrinam ao santuário, onde deixam velas, mas também as mais diversas figuras de cera, representando crianças, adultos ou órgãos do corpo humano.

Aos fins de semana da “época alta” de Fátima, entre maio e outubro, ardem várias toneladas de cera no tocheiro.

Por exemplo, a 13 de maio de 2014, por ocasião da peregrinação internacional aniversária, quase 21 toneladas de cera foram queimadas naquele local em menos de 24 horas.

“O tocheiro é, talvez, o lugar onde a pessoa que não pode continuar em Fátima, faz uma peregrinação e que tem forçosamente de dizer adeus (…), deixa a sua vela, para que ela arda, se consuma, para que possa ser sinal da vida humana”, declarou, frisando que este é, “de facto, um lugar de passagem para os peregrinos”.

Marco Daniel Duarte adiantou que deixar velas tem uma “relação que é mais profunda e teológica, que está relacionada com a vela do batismo”.

Por outro lado, ao depositarem a vela, “é deixar que um símbolo da sua fé permaneça junto do lugar que visitam em peregrinação”, referiu.

“Ao virem a este lugar, as pessoas entendem vir agradecer ou vir pedir e quando o fazem, ao contrário do que muitas vezes se diz que é uma troca comercial entre ‘eu dou a minha vela a pedido de qualquer coisa’, isto pode existir, mas é muito superficial”, considerou.

Para Marco Daniel Duarte, “o que é de muito mais profundo é deixar aqui um pedaço da sua vida e a forma de o deixar é naquela vela que, do ponto de vista estético, ritual e simbólico é uma coluna de cera que se vai consumindo tal como a vida humana se vai consumindo ao longo do tempo”.

“É uma metáfora da própria vida e aquela luz é usada pela Igreja que se acende no dia do batismo e que expira no dia da morte, mas segundo a leitura crente é essa luz que continua a brilhar junto de Deus”, disse o diretor.

Segundo o responsável, em Fátima, como noutros lugares, aparecem também algumas figuras que representam órgãos humanos.

“Por exemplo, se a pessoa quer pedir para que se cure de um problema que tem numa perna, no coração, nos pulmões, no fígado, representa esses órgãos através de cera ou através de outro tipo de materialidade”, explicou, exemplificando com representações destas em madeira, prata ou ouro, mas estas menos frequentes.

Para Marco Daniel Duarte, “essas figuras entram na mesma lógica de representarem aquilo que a pessoa pretende ser lembrado junto da Virgem”.

Francisco é o quarto papa a visitar Fátima, na sexta-feira e no sábado, para canonizar os pastorinhos Francisco e Jacinta, no centenário dos acontecimentos da Cova da Iria, em 1917.

 



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