Denúncias nos cuidados intensivos da Terceira eram "casos pontuais"

Denúncias nos cuidados intensivos da Terceira eram "casos pontuais"

 

Lusa/AO online   Regional   17 de Out de 2014, 18:38

O secretário regional da Saúde dos Açores assegurou que as denúncias dos enfermeiros da unidade de cuidados intensivos do hospital da ilha Terceira reportavam-se a "casos pontuais" e que a administração do hospital agiu nos últimos meses.

 

"O conselho de administração do hospital da ilha Terceira não esteve parado ao longo deste tempo todo. Foi-me transmitido, ao longo deste tempo, algumas das medidas que foi tomando, no sentido de garantir que, a haver algum fundo de verdade nas denúncias que foram feitas, não era um processo que abrangesse todos os doentes, seriam situações pontuais, que necessitavam da devida investigação e não algo do mau funcionamento da unidade de cuidados intensivos", frisou.

Luís Cabral falava, aos jornalistas, no final de uma audição na Comissão de Assuntos Sociais da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, no âmbito de um requerimento do CDS-PP sobre o funcionamento da unidade de cuidados intensivos do Hospital de Santo Espírito.

Em causa está um abaixo-assinado dos enfermeiros da unidade de cuidados intensivos entregue, em fevereiro, à administração do hospital, e divulgado pela comunicação social local no início de outubro, em que é denunciada "falta de rigor técnico-científico" e de "princípios éticos e deontológicos" e "redução do investimento terapêutico", entre outras queixas.

Questionado pelos deputados, Luís Cabral disse só ter tido conhecimento da carta, que segundo o secretário é a ata de uma reunião dos enfermeiros com a administração do hospital, depois de o seu conteúdo ter sido divulgado na comunicação social.

Ainda assim, garantiu que já acompanhava os problemas da unidade de cuidados intensivos, mesmo antes de os enfermeiros terem entregado o documento, tendo em conta a mudança de chefia do serviço.

A divulgação das queixas dos enfermeiros levou a tutela a abrir um processo de averiguações, conduzido por um jurista do hospital de Ponta Delgada, para que os utentes possam ser "esclarecidos publicamente".

"Importa esclarecer os açorianos se podem ou não ter confiança na unidade de cuidados intensivos do hospital da ilha Terceira", frisou Luís Cabral.

Artur Lima, do CDS-PP, defendeu "no mínimo a suspensão" do conselho de administração do hospital, mas o secretário regional disse não ter "indícios" que comprovem que a administração "tomou uma má decisão sobre esta matéria", preferindo aguardar pelo resultado do processo de averiguações.

Luís Cabral lembrou ainda que a ata foi entregue em fevereiro e que deste então foram tomadas várias medidas, por isso, "poderão até já não haver os motivos enunciados nessa carta para manter a posição que tinha sido na altura tomada".

O governante alertou, no entanto, para o facto de o hospital só ter um especialista em medicina intensiva, o que pode condicionar a continuidade do serviço caso se comprovem verdadeiras as denúncias dos enfermeiros.

"Espero que não cheguemos a um extremo de deixar de ter capacidade de fornecer esse serviço, mas esse serviço tem de ser feito de uma forma que garanta qualidade aos utentes", frisou.

Na comissão, o secretário lembrou que há unidades de cuidados intensivas no país que foram encerradas por falta de médicos especialistas.


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