Delirium afeta metade dos idosos hospitalizados mas poucos o sabem

Delirium afeta metade dos idosos hospitalizados mas poucos o sabem

 

Lusa/AO online   Nacional   2 de Nov de 2016, 18:05

Metade dos doentes hospitalizados com mais de 65 anos sofre em algum momento de "delirium", mas o problema raramente é diagnosticado, alerta o presidente da associação Cérebro e Mente, Joaquim Cerejeira.

 

Psiquiatra, Joaquim Cerejeira está na organização em Portugal de um congresso científico sobre ‘delirium’ que durante dois dias (quinta e sexta-feira, em Vilamoura) junta médicos, enfermeiros, psicólogos e investigadores de mais de 20 países europeus, américa do norte e Austrália.

Em declarações à agência Lusa, o responsável explicou que é muito frequente que um idoso que seja internado com um problema como uma pneumonia ou uma infeção urinária (exemplos) desenvolva também sintomas psiquiátricos, como confusão e agitação.

“Aparentemente não haveria razões para uma infeção urinária causar alterações psiquiátricas. É isso que tentamos avaliar porque não há uma resposta ainda, de qual a influência que uma disfunção no corpo tem no cérebro”, disse à Lusa.

O problema, adiantou, “passa despercebido ou não é diagnosticado”, até porque os médicos que seguem o doente são de especialidades diferentes, da doença primária que está a ser tratada.

“No entanto se ocorre um episódio de ‘delirium’, a doença que levou à hospitalização do doente pode complicar-se, pode aumentar o tempo de internamento, afetar irremediavelmente o doente, pelo que é preciso treino dos profissionais de saúde. No Reino Unido, por exemplo, já se avalia o estado mental do doente todos os dias”, defendeu o especialista.

Joaquim Cerejeira salientou que o problema não afeta apenas pessoas idosas, mas que “pode acontecer a qualquer pessoa em que a disfunção do corpo seja suficientemente grave para afetar o cérebro”.

E depois, acrescentou, os casos de ‘delirium’ são frequentes em lares de idosos mas raramente diagnosticados, desvalorizando-se a “confusão” das pessoas, que de repente não sabem que dia da semana é por exemplo, atribuindo isso “à idade”.

O trabalho que há a fazer, diz, é sensibilizar os profissionais que cuidam dos doentes, para que se descubra a causa do ‘delirium’, seja uma infeção ou um medicamento.

“A cura é identificar a doença que está por trás. No fundo o ‘delirium’ é o equivalente à febre”, no sentido de ser um aviso “de que algo não está bem”. “O problema é que a febre mede-se facilmente, o ‘delirium’ não”.

A questão, a forma de melhorar o reconhecimento precoce do ‘delirium’, as novas terapêuticas, serão debatidas nos dois dias de trabalhos, promovidos pela Associação Europeia de Delirium, organizada pela Cérebro e Mente - Associação para o Desenvolvimento em Investigação em Saúde Mental.

O psiquiatra diz que o envelhecimento da população leva a um acréscimo das taxas de ‘delirium’, especialmente associado à demência, que “atinge atualmente 7,3 milhões de pessoas na Europa, e cuja prevalência duplicará em 2040”.

O ‘delirium’ surge de modo súbito caracteriza-se por perturbação da atenção e da consciência. O doente pode ficar confuso e desorientado (temporal e espacialmente), não se conseguir concentrar, perder a memória ou não reconhecer pessoas, ficar agitado ou letárgico e ter distúrbios de comportamento e humor.

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