Defensores dos animais contra política de abate que tem eliminado milhares de bichos

Defensores dos animais contra política de abate que tem eliminado milhares de bichos

 

LUSA/AO Online   Regional   29 de Jun de 2014, 14:30

As organizações madeirenses de defesa dos direitos dos animais pretendem ver aplicado na região um programa de esterilização, em vez da continuação do que consideram ser "uma política de abate", que tem eliminado milhares de animais.

O porta-voz de várias associações de defesa dos animais da Madeira, João Henriques de Freitas, disse à agência Lusa que o abate de animais de companhia, errantes ou abandonados, no concelho do Funchal, pela Sociedade Protetora de Animais Domésticos (SPAD) atingiu, nos últimos três anos, 5556 animais. Entre os anos de 2011 e 2013, o canil do Vasco Gil, em Santo António, no Funchal, cuja gestão foi cedida à SPAD (instituição privada de utilidade pública) pela Câmara Municipal do Funchal mediante protocolo celebrado em 2005, recebeu 8224 animais dos quais 5556 foram abatidos, revelou João de Freitas. Para o porta-voz dos defensores dos animais, a SPAD, sob a designação de "falecidos", indica 147 casos (38 em 2013; 59 em 2012 e 50 em 2011), ou seja, apenas 2 por cento dos animais recebidos morreram de causas naturais. Questões que a vice-presidente da SPAD, Carina de Castro Lombo, contrapõe afirmando que a eutanásia "não é política seguida pela instituição". Carina Lombo disse que a SPAD "assume inteiramente o recurso à eutanásia, ou seja, à morte sem sofrimento, em todos os casos previstos e recomendados” por vários organismos e seguindo a legislação em vigor, “nomeadamente nos casos de sofrimento, de doenças infetocontagiosas, de patologias cujo tratamento é muito dispendioso e sem garantia plena de cura e em animais muito agressivos". A SPAD acolhe anualmente cerca de 2.700 animais, numa média diária de sete a oito animais, sendo sua orientação tentar que não permaneçam mais do que dois anos devido "às patologias associadas com a privação de espaço", explicou. Atualmente, a SPAD tem 419 animais alojados, 95 dos quais em permanência há mais de um ano. Esta instituição defende uma política de adoção responsável, reconhecendo que “a conjuntura atual fez descer as taxas de adoção anuais e inflacionou o número de animais abandonados a cargo da SPAD", afirmou a responsável. "A solução passa por mudarmos a mentalidade da sociedade portuguesa no que diz respeito à saúde e bem-estar animal como também pela implementação de uma política massiva de esterilizações para que possamos, no futuro, ter uma diminuição efetiva de animais errantes ou abandonados", defendeu Carina Lombo. Neste ponto, tanto a SPAD como as restantes organizações da ilha da Madeira estão de acordo. A vice-presidente da SPAD considerou que, para controlo dos animais abandonados ou errantes na Madeira, "as entidades oficiais deveriam apoiar as esterilizações destes animais". Para João Henriques de Freitas, a resolução do problema “passa por um programa sério de esterilização com devolução dos animais não adotados à natureza, pela promoção da transformação gradual do canil do Vasco Gil, a fim de o tornar essencialmente numa unidade de programa RED (Recolha - Esterilização - Devolução); pela criação da figura do "Animal Comunitário"; pela aposta em campanhas de sensibilização contra o abandono e maus tratos, e incentivando a adoção responsável".


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