Entrevista a Pedro Gonçalves

Dead Combo: "Os Açores resultam sempre em momentos que guardamos na memória"

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Miguel Bettencourt Mota   Cultura e Social   15 de Mar de 2018, 14:00

Pedro Gonçalves compõe os Dead Combo com Tó Trips há quinze anos. Em entrevista ao Açoriano Oriental, fala do concerto no Tremor, do novo álbum e da banda que esteve “duas vezes” para terminar...A música interveio e acabou por "falar mais alto". Por essa razão, há Dead Combo no Coliseu Micaelense, no dia 24 de março, a partir das 21h30




No dia 24 de março vão atuar no Coliseu Micaelense? O que se vai poder ouvir? Sobretudo, o último álbum ‘A Bunch of Meninos’ ou também temas do novo disco, Odeon Hotel?

Bem, o repertório vai passar um pouco pelos discos todos e também vamos tocar algumas músicas do novo álbum que vai sair em abril...

...Não tem sido incomum vermos e ouvirmos Dead Combo nos palcos açorianos. Desta vez, tocam no Coliseu, mas já estiveram também, por duas vezes, no Teatro Micaelense. Há uma ligação especial vossa a este lugar?


Para nós, os Açores são sempre um sítio muito especial...Por todas as razões do mundo [risos]! Resultam sempre em momentos e concertos que nós guardamos na memória...

...Então porquê?


É um bocadinho por tudo: é pelas pessoas – pela receção fantástica que temos - e pela beleza dos Açores em todos os sentidos...Mas acima de tudo pelas pessoas.


Que referências têm do Tremor?


As referências que temos são muito boas. Toda a gente que foi às outras edições nos disse maravilhas do festival. Dizem-nos que tem algo de muito único e de muito bom.

Os Dead Combo já somam 15 anos de existência. Que balanço fazer desta década e meia de música?


Muito bom [risos]! Começámos os Dead Combo sem ambições, sem objetivos, sem querermos grande coisa a não ser podermos tocar a nossa música e não tínhamos expectativa nenhuma que isto crescesse da maneira como cresceu e chegasse a tantas pessoas. Cada vez mais, nos surpreendemos com isso...

...Também são quinze anos de muita estrada. Nunca se cansaram?


Dos concertos, não. Aquilo de que nos cansamos tem a ver com questões pessoais e não com a música.


...E um do outro, já se cansaram?


Sim. O grupo sou eu e o Tó [Trips] e, às vezes, é como num casamento...Não há um terceiro elemento para ajudar a decidir as coisas e é complicado. Mas, pronto, ao fim de quinze anos já aprendemos a lidar com isso de outra maneira e de uma forma mais saudável [risos]...

...Alguma vez esteve em cima da mesa terminarem com o projeto?


Já e até por duas vezes, ao longo de quinze anos. Mas depois chegamos sempre à conclusão que a música fala mais alto e que os problemas que nós temos acabam por ínfimos e facilmente ultrapassáveis. Lá está, são coisas que não têm absolutamente nada a ver com a música...São de outros foros.

Olhando para trás e para o vosso percurso, acha que gradualmente o vosso som se foi reinventando?


Eu espero bem que sim. Nós pelo menos tentámos fazer isso, reinventarmo-nos e criarmos coisas novas. O esforço vai no sentido de criarmos resultados novos e irmos a sítios onde não tenhamos ido. Agora, se o temos conseguido ou não, as pessoas é que têm que o dizer. 


Podemos ouvir fado, rock, blues e a mescla disto tudo nos vossos trabalhos..A pergunta vai no sentido de perceber se terão uma toada musical mais definida agora, ou se preferem continuar a não impor limites à vossa música?


Acho que descobrimos uma linha, mas acho que essa linha é muito abrangente e pode incluir um pouco de tudo...Aliás, o novo disco é mais abrangente do que todos os outros.

Que registos musicais é que exploram neste Odeon Hotel?


Tem coisas mais para o lado do rock, algo de fado...É muito abrangente e difícil de resumir sem se ouvir.

Como decorreu o processo criativo deste álbum? O ‘A Bunch of Meninos’ data já de 2014...


Foi simples, mas mais demorado do que o normal. Isto porque, pela primeira vez, o disco foi produzido por alguém que não nós. Desta vez, a produção ficou a cargo de Alain Johannes – que trabalhou com Queen Of Stone Age, PJ Harvey, Chris Cornell e uma série de malta – e isso significou uma grande mudança. Fizemos uma pré-produção durante bastante tempo e enviámo-la. Só quando ele veio cá a Portugal é que o gravámos. Também foi a primeira vez que gravámos de raiz com bateria e fizemo-lo com o Alexandre Frazão, que vai estar connosco nestes concertos.

Acha que o disco poderá atingir os mesmos patamares de reconhecimento de alguns que o antecederam?


Nessas coisas nunca consigo ter uma noção. Só depois do disco estar cá fora e ouvir o ‘feedback’ das pessoas é que consigo perceber o que é que aquilo é. •
















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