Daniel Adrião apresenta moção ao congresso do PS mas diz que não está em causa liderança


 

Lusa/AO Online   Nacional   18 de Mai de 2016, 07:40

O candidato a secretário-geral do PS Daniel Adrião apresentou hoje em Castelo Branco a sua moção de estratégia global, "Resgatar a democracia", mas adiantou que não pretende disputar a liderança do partido, mas sim a democracia.

 

"Esta não é uma moção nem uma candidatura para disputar a liderança. É uma candidatura para disputar a democracia. Consideramos que é fundamental em partidos democráticos que haja pluralismo e ideias alternativas em discussão", esclareceu o militante socialista.

Daniel Adrião, de 48 anos, natural de Alcobaça, explicou que o movimento que lidera nasceu da base social de apoio do PS: "Não temos grandes individualidades do partido. É uma moção pela positiva de um conjunto de militantes socialistas".

O objetivo fundamental passa por dar um contributo para a discussão e o debate de ideias no seio do PS, num momento em que o partido realiza a sua reunião magna, agendada para os dias 03, 04 e 05 de junho na Feira Internacional de Lisboa.

"É nesse momento que os militantes devem dar os seus contributos para a definição da estratégia política do PS. Foi isso que quisemos fazer, mesmo quando não está em causa a liderança como é o caso", sublinhou.

Atualmente, os estatutos do PS só permitem que haja moções globais de estratégia para candidatos a secretário-geral.

Daniel Adrião adiantou que o nome da moção de estratégia global, intitulada "Resgatar a democracia", surge devido ao sentimento de que a democracia está capturada por interesses vários.

"Sentimos que a democracia está capturada, sobretudo por um conjunto de interesses que impedem que os cidadãos possam ter uma participação e um envolvimento maior no processo democrático. Isso é visível e inclui o PS naturalmente", sustentou.

O militante do PS esclarece ainda que este não é um "movimento de crítica, mas de massa crítica".

"Queremos apresentar e discutir soluções. Os cidadãos cada vez participam menos. Os deputados que se sentam na Assembleia da República já representam menos de 50% do eleitorado. Temos que nos questionar se isto ainda é uma democracia representativa", disse.

Daniel Adrião mostrou-se pragmático e sublinhou que estas questões não podem continuar a ser ignoradas: "Há um problema na nossa democracia, não podemos continuar a esconder a cabeça na areia".

O candidato socialista explicou também que apresenta propostas no sentido de abrir o PS à sociedade e abrir os processos de decisão internos do partido.

"Entendemos que os deputados deviam ser escolhidos através de eleições primárias, eventualmente abertas aos simpatizantes. Em Portugal, os cidadãos não elegem deputados, elegem partidos. Os deputados são nomeados pelos diretórios partidários", afirmou.

Daniel Adrião propõe uma "revolução democrática pacífica" porque entende que aquilo que existe atualmente no panorama político é um "simulacro de democracia".

"Numa democracia a sério os cidadãos decidem. Hoje, isso não acontece, carimbamos decisões tomadas por outros. É preciso devolver o poder às pessoas", realçou.

Em suma, o militante do PS sublinha que é preciso pugnar por um sistema transparente, onde as pessoas possam decidir e ser envolvidas nas decisões porque entende que o sistema é "altamente desresponsabilizante".

Por último, considerou que o secretário-geral socialista, António Costa, tem "excelentes" condições para liderar um movimento socialista europeu que altere o atual rumo da Europa.

"O PS tem que procurar esses aliados. É preciso haver mudanças profundas na união económica e monetária, que serve os países mais fortes. Isto é a negação completa daquilo que era o projeto europeu inicial", concluiu.

 


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