Dados da estação que mede radiação atmosférica nos Açores com "utilização crescente"


 

Lusa/AO Online   Regional   20 de Jun de 2016, 11:38

A estação fixa para mediação da radiação atmosférica instalada na ilha Graciosa, nos Açores, tem em curso dez projetos internacionais, cujos dados obtidos têm tido uma "utilização crescente" entre a comunidade científica, foi hoje anunciado.

"Tem vindo a crescer a utilização que é feita dos dados disponibilizados de forma gratuita a toda a comunidade científica interessada", disse à agência Lusa o diretor do Centro do Clima, Meteorologia e Mudanças Globais da Universidade dos Açores, Eduardo Brito de Azevedo, acrescentando que estes projetos em curso pertencem a consórcios que incluem os Estados Unidos da América, China, Austrália e alguns países europeus.

A Graciosa foi escolhida como um dos cinco locais do mundo envolvidos no programa ARM (Atmospheric Radiation Measurement), promovido pelo Departamento de Energia dos EUA, como forma de aprofundar a investigação mundial do sistema estratiforme de nuvens de baixa altitude sobre os oceanos subtropicais.

A primeira estação instalada na ilha funcionou de forma móvel entre 2009 e 2010, e, a partir de 2013, ganhou o estatuto de permanente, uma decisão que envolveu um investimento de 14 milhões de dólares suportados pelas autoridades norte-americanas, a que se associou o executivo açoriano, a Câmara de Santa Cruz da Graciosa e a universidade.

A propósito da visita estatutária que o Governo Regional faz até terça-feira a esta ilha do grupo central do arquipélago, Eduardo Brito de Azevedo explicou que o êxito da estação é avaliado pelo financiador (EUA) pela utilização que os dados recolhidos têm entre a comunidade científica internacional.

“A Graciosa está num sítio do Atlântico onde ocorre uma série de fenómenos, como formação de nuvens baixas que vão depois afetar o balanço da energia da terra”, referiu Eduardo Brito de Azevedo, acrescentando que “os Açores dispõem da mistura ideal de condições para o estudo das interações entre as nuvens marinhas, o aerossol e a precipitação, mecanismo ainda mal conhecido e mal representado nos modelos numéricos, mas decisivo para a configuração do clima da Terra”.

Segundo este professor, a estação fixa da Graciosa criou até dez postos de trabalho, mas pela ilha passam, ao longo do ano, técnicos dos equipamentos e equipas de cientistas, pelo que “a Graciosa tem, de facto, um benefício direto e indireto razoavelmente grande”.

“A estação nunca está configurada de modo definitivo. Vai sendo adaptada aos projetos submetidos ao programa ARM e, uma vez financiados, podem implicar a instalação de mais equipamento específico”, referiu o responsável, revelando que atualmente a estação mede uma série de parâmetros de natureza física e química em diferentes domínios da atmosfera.


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