Cristiano Ronaldo nega em tribunal “intenção de fugir aos impostos”

Cristiano Ronaldo nega em tribunal “intenção de fugir aos impostos”

 

Lusa/AO online   Futebol   31 de Jul de 2017, 21:47

O futebolista português Cristiano Ronaldo, do Real Madrid, disse , depois de ser ouvido no tribunal Pozuelo de Alarcón, nos arredores de Madrid, que “nunca” ocultou rendimentos nem teve “intenção de fugir aos impostos”.


Em comunicado, o português sublinhou que o fisco conhece todos os seus rendimentos porque nunca escondeu “nada nem intenção de fugir aos impostos”.

“Faço sempre as minhas declarações de impostos de maneira voluntária, porque penso que todos temos de declarar e pagar impostos de acordo com os nossos rendimentos. Os que me conhecem, sabem que peço aos meus assessores que tenham tudo em dia e corretamente saldado, porque não quero problemas”, assinalou.

No mesmo documento, o português pede que se “deixe trabalhar a justiça”, na qual acredita e de quem espera “uma decisão justa”, dizendo ainda que não vai voltar a fazer declarações sobre o assunto até ser proferida uma sentença.

A equipa de advogados que o representa, composta por José María Alonso e Jesús Santos, mostrou-se satisfeita com a declaração do futebolista perante o juiz.

“Cristiano mostrou-se tranquilo em todos os momentos, tem a consciência de ter cumprido sempre e de ter feito bem as coisas”, explicaram, à porta do tribunal de Pozuelo de Alarcón, depois de Ronaldo ter saído, segundo a agência noticiosa EFE, por uma das garagens do edifício, com o intuito de não prestar declarações aos jornalistas.

Perante a juíza Mónica Gómez, Ronaldo assegurou que nunca teve “intenção de fugir aos impostos”, acrescentando ainda que nunca teve problemas tributários nos outros países onde viveu.

O português esclareceu ainda que a cedência de direitos de imagem a uma empresa de sua propriedade já vinha de 2004, e não quando mudou a residência para Espanha, em 2010.

“Quando assinei pelo Real Madrid, não criei uma estrutura especial para gerir os meus direitos de imagem, tendo mantido a que o fazia em Inglaterra. (...) Era uma estrutura usual em Inglaterra, foi autorizada pelo fisco britânico e ratificada como legal e legítima”, acrescentou Ronaldo.

O jogador prestou declarações durante uma hora e meia, à porta fechada, tendo prescindido de ter um intérprete e respondido em espanhol, na qualidade de suspeito de ter defraudado o fisco espanhol em 14,7 milhões de euros entre 2011 e 2014, num momento em que o processo está ainda em fase de instrução.

Segundo fonte do tribunal, a juíza terá agora de decidir qual será o próximo passo: continuar a fase de instrução com a recolha de mais elementos; passar à fase de julgamento; ou fechar o caso por falta de provas.

Cristiano Ronaldo é acusado de ter, de forma “consciente”, criado empresas na Irlanda e nas Ilhas Virgens britânicas, para defraudar o fisco espanhol em 14.768.897 euros, cometendo quatro delitos contra os cofres do Estado espanhol, entre 2011 e 2014.

Na base da acusação estão os direitos de imagem do jogador português, ao serviço do Real Madrid desde 2009, e que, desde 01 de janeiro de 2010, é considerado residente fiscal em Espanha.

Segundo fontes que seguem o processo, o escritório de advocacia que representa Ronaldo defende que há uma dualidade de critérios sobre a forma de valorizar os direitos de imagem do jogador em Espanha, sendo que estes são anúncios e eventos de companhias que difundem a imagem fora de Espanha, logo, não abrangidos pelo país onde reside.

Também o treinador José Mourinho e Fábio Coentrão estão a ser investigados, assim como o agente português Jorge Mendes, que em finais de junho também respondeu ao juiz no tribunal de Pozuelo, o mesmo que está a instruir o processo de Ronaldo.


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