Cristas (CDS) acusa Governo PS de ser incapaz ou não querer defender cumprimento do défice


 

LUSA/AO online   Nacional   12 de Jul de 2016, 14:11

A presidente do CDS-PP acusou hoje o Governo socialista de ter sido incapaz ou de não ter querido defender em Bruxelas o cumprimento por Portugal da meta para o défice de 2015, considerando que "havia argumento técnico e político".

"Na nossa perspetiva, havia argumento técnico e político para defender um défice na ordem dos 3% e não acima. O Governo, por inabilidade, por ter chegado tarde à matéria ou não estar interessado politicamente nisso mesmo, não foi capaz ou não quis fazer essa defesa", criticou Assunção Cristas, à margem de uma incubadora de empresas do setor das novas tecnologias, nos arredores de Lisboa.

O Conselho de Ministros das Finanças da União Europeia (Ecofin) decidiu hoje, em Bruxelas, que Portugal e Espanha irão ser alvo de sanções por não terem adotado "medidas eficazes" para corrigirem os défices excessivos, adotando assim as recomendações da Comissão Europeia sobre as metas falhadas para a saída dos respetivos Procedimentos por Défice Excessivo (PDE), que no caso de Portugal era 2015.

"Há uma segunda batalha, que é dizer que, mesmo assim, as sanções são injustificadas. Nós continuamos, no CDS, a dizer que são injustificadas e inapropriadas. À margem de uma incubadora de empresas do setor das novas tecnologias, nos arredores de Lisboa", afirmou a líder centrista.

Assunção Cristas admitiu ter alimentado "alguma esperança que, dada a formação do Conselho (Ecofin) - com uma maioria de partidos socialistas -, o Governo português, sendo da mesma família política, tivesse conseguido sensibilizar os seus parceiros, mas, afinal, assim não aconteceu".

"Esperemos agora que a Comissão [Europeia] seja sensível. O que espero é que não haja sanções. Se, porventura, a questão for incontornável, então que sejam ligeiras, simbólicas", desejou.

Questionada sobre a quota de responsabilidade no sucedido por integrar anteriores elencos governativos, em conjunto com o PSD, a presidente democrata-cristã, vincou a "convicção" de não haver justificação para as eventuais sanções e adiantou que, se ainda estivesse em funções, "continuaria a trabalhar para mostrar que há um caminho - certamente diferente do do PS - que assegura crescimento económico e consolidação das contas".

A Comissão Europeia tem agora 20 dias para propor o montante das multas, que podem ir até 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) e Portugal e Espanha, por seu turno, têm um prazo de 10 dias a contar a partir de hoje para apresentarem os seus argumentos com vista a uma redução da multa, a qual pode ser reduzida a zero.

O ministro das Finanças, Mário Centeno, assegurou que "o país vai lutar, o Governo vai expor os seus argumentos, no sentido de que a continuação deste processo não traga nenhum tipo de consequências para o esforço orçamental português, que já é bastante significativo".



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