Crimeia inicia celebrações primeiro aniversário do regresso ao "espaço russo"


 

Lusa/AO online   Internacional   16 de Mar de 2015, 17:28

A Crimeia iniciou as celebrações do primeiro aniversário do seu "regresso" ao espaço russo, na sequência da convocação de um controverso referendo que justificou a sua anexação pela Rússia.

 

Em 16 de março de 2014, na presença de soldados de forças especiais que duas semanas antes tinham ocupado o parlamento e locais estratégicos da península situada no sul da Ucrânia, os habitantes desta região de maioria russófona aprovaram por larga maioria a sua reintegração na Federação da Rússia.

No início das festividades que devem prolongar-se por toda a semana, alguns milhares de pessoas assistiram a um concerto em Sebastopol, a maior cidade da Crimeia e a mais tradicionalmente pró-russa devido à presença no seu porto da frota russa do Mar Negro.

"Vós, habitantes da Crimeia, haveis dito que queriam regressar a casa e o presidente [russo] tomou a sua decisão", referiu o governador da cidade, Serguei Meniailo. "Regressámos a casa sem banhos de sangue", prosseguiu, perante uma multidão menos entusiasta que há um ano, segundo a agência noticiosa AFP.

O referendo, aprovado por 97% dos eleitores segundo as autoridades da Crimeia, mas denunciado como ilegal por Kiev e pelos países ocidentais, iniciou um ano de conflitos diplomáticos sem precedentes desde o final da Guerra fria. Em simultâneo, deu alento às ambições separatistas no leste da Ucrânia, onde um conflito armado já provocou mais de 6.000 mortos.

Dois dias depois do referendo, e num desafio às sanções anunciadas pelo ocidente, o Presidente russo Vladimir Putin assinava um decreto sobre a integração da Crimeia na Rússia.

A União Europeia (UE), pela voz da chefe da diplomacia Federica Mogherini, reafirmou hoje a sua condenação da "anexação ilegal" da península e manifestou inquietação pela sua "crescente militarização".

Um ano depois, diversas organizações internacionais denunciam violações dos direitos humanos na Crimeia e a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) inquieta-se pela "repressão" dos 'media' independentes.

A península, que depende da Ucrânia para a água e eletricidade, não possui qualquer ligação terrestre com a Rússia, e regista dificuldades de abastecimentos e uma inflação galopante. A Rússia já iniciou a construção de uma ponte no Mar de Azov, para ligar o seu território à península anexada.

A anexação da Crimeia foi aplaudida na Rússia, onde muitos consideravam um erro a sua união administrativa à Ucrânia decidida pelo dirigente soviético Nikita Kruschev em 1954, e permitiu a Putin garantir taxas de popularidade perto dos 90%, segundo sondagens recentes.

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