"Criarte" divulga língua portuguesa com mensagens de escritores em t-shirts


 

Lusa / AO online   Economia   9 de Jan de 2010, 11:58

A frase “tenho em mim todos os sonhos do mundo”, de Álvaro de Campos, em t-shirts verde-água e preta, assinala o início de uma nova fase da “criarte”, marca que divulga, através do design, a língua portuguesa.

Adquirida o ano passado pela livraria e papelaria Arquivo, empresa do grupo Movicortes, de Leiria, a “criarte” é um projecto de Sancha Trindade, jornalista que escreve sobre cidades, iniciado em 2003 com o objectivo de partilhar o espólio cultural linguístico do país.

À Agência Lusa, Sancha Trindade afirmou que a marca foi inspirada numa frase de Alexandre O’Neill, “criar-te a ti português saudosista que morres da miséria de uma noite gerada por um dia igual”.

Sancha Trindade adiantou que a “criarte” começou com uma colecção de seis livros de notas com inscrições de igual número de escritores portugueses, em homenagem a Manuel Hermínio Monteiro, fundador da editora Assírio & Alvim.

Posteriormente, a marca estendeu a sua criação a t-shirts, com mensagens em Português e Inglês.

“A ideia é que as pessoas tenham uma segunda pele. As pessoas vestem uma t-shirt com uma mensagem e podem partilhá-la com outros viajantes da cidade”, disse, explicando que a missão passa, também, por “elevar um pouco a auto-estima dos portugueses”.

“Os portugueses dão pouco valor às coisas boas que têm, à sua cultura, ao Sol ou à língua”, considerou Sancha Trindade.

A colecção de t-shirts, com a designação “Os viajantes”, tem nove exemplares diferentes com mensagens de Álvaro de Campos, Luís de Camões, Ruy Belo, José Tolentino Mendonça, Agostinho da Silva, padre António Vieira, Damião de Góis, Alberto Caeiro e Al Berto, acompanhadas por uma imagem da autoria de Sancha Trindade.

“As frases seleccionadas procuram ter impacto e elevar a auto-estima dos portugueses”, continuou, admitindo que foi o “pouco tempo” e o “muito trabalho” que a levaram a vender a marca.

“Eu libertei a ‘criarte’ para a deixar crescer, porque já tinha actividades que não me permitiam que o filho crescesse”, justificou, ressalvando que não abandonou a marca nem o projecto, que passou a ser um trabalho em conjunto com a Arquivo.

“A Arquivo mostrou interesse e tem uma rede de distribuição muito consistente”, observou Sancha Trindade.

A proprietária da Arquivo, Alexandra Vieira, acrescentou que o objectivo é agora colocar as t-shirts em todo o país, incluindo na rede de lojas FNAC, embora reconheça que este não seja um produto de massas.

“É um produto especial para clientes especiais”, garantiu Alexandra Vieira, observando que as pessoas que o compram “gostam de poesia, de literatura portuguesa, de autores portugueses” e são também turistas.

A embalagem, cilíndrica, além da t-shirt - fabricada numa unidade têxtil do Norte do país - inclui um marcador sobre o autor com a explicação da frase seleccionada. Custa cerca de 30 euros.

Alexandra Vieira declarou que apesar de neste momento se estarem apenas a criar camisolas “não quer dizer que não se faça outro tipo de artigo também”. O objectivo, promete, é que será sempre o mesmo.


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