Costa promete moderação na ação e apela ao fim da crispação política


 

Lusa/AO Online   Nacional   26 de Nov de 2015, 15:28

O primeiro-ministro, António Costa, prometeu hoje que o seu Governo terá uma ação moderada, defendendo ser "tempo de reunião" e não de radicalização, e salientou o respeito pelos compromissos com a zona euro e com a NATO.

"Este é o tempo da reunião. Não é de crispação que Portugal carece, mas sim de serenidade. Não é altura de salgar as feridas, mas sim de sará-las", declarou António Costa na parte final do seu discurso, após o Presidente da República o ter empossado primeiro-ministro do XXI Governo Constitucional, numa cerimónia no Palácio da Ajuda, em Lisboa.

Num apelo veemente a uma pacificação da vida política nacional e com os membros do Governo cessante PSD/CDS-PP a escutá-lo, o secretário-geral do PS afirmou: "O bom conselheiro desta hora não é o despeito ou o desforço, mas a determinação em mobilizar as vontades para vencermos os desafios que temos pela frente".

António Costa defendeu depois a tese de que Portugal não progride "com radicalizações" e prometeu que "a conduta do XXI Governo pautar-se-á pela moderação".

"Moderado será o seu programa, realizando uma alternativa à vertigem austeritária - que só agravou os problemas económicos, sociais e mesmo orçamentais - mas será uma alternativa realista, cuidadosa e prudente. E moderada será a sua atitude", advogou o novo líder do executivo.

Antes dos apelos à moderação, o primeiro-ministro procurou também passar a mensagem de que o seu Governo "será de garantia", numa alusão às questões que lhe foram colocadas formalmente pelo Presidente da República sobre o respeito pelos compromissos europeus e internacionais assumidos pelo Estado Português.

António Costa salientou então que o lugar de Portugal é "na União Europeia e na zona euro, na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPL) e na grande ligação atlântica, incluindo na Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO)".

"Portugal afirma-se em todos estes domínios através das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, da qualidade da sua diplomacia, bem como na cooperação para o desenvolvimento e na segurança cooperativa, designadamente através das Forças Armadas", disse.

No seu discurso, o novo primeiro-ministro referiu-se também à conjuntura política, económica e social do país, depois de ter estado sujeito ao Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF).

"Ninguém tenha dúvidas, o trajeto que seguimos deixará marcas, e marcas profundas, ainda por muito tempo. Alguns dirão que tinha de ser, outros dizem que havia alternativas. Por mim, confio à História esse debate, porque julgo ser meu dever e dever do Governo que lidero, centrar-se no que lhe é exigido hoje para construirmos o futuro", sustentou.

No entanto, para António Costa, não se pode ignorar é que, "depois de tantos sacrifícios, a sociedade está hoje mais pobre e desigual, a economia mais enfraquecida no seu potencial de crescimento e o país mais endividado".

"O aumento e proteção do rendimento disponível das famílias, o alívio da asfixia fiscal da classe média, o desendividamento e condições de investimento das empresas, o combate à pobreza, a garantia de serviços e bens públicos essenciais são necessidades do tempo da urgência social e económica, condição de relançamento da economia e da criação de emprego", acrescentou, numa alusão aos objetivos centrais do programa do seu executivo.


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