Costa evoca ação de Marcelo e pede unanimidade contra sanções a Portugal

Costa evoca ação de Marcelo e pede unanimidade contra sanções a Portugal

 

LUSA/AO Online   Nacional   5 de Jun de 2016, 15:04

O secretário-geral do PS evocou hoje a ação do Presidente da República e pediu a aprovação unânime no parlamento de uma resolução contra a aplicação de sanções a Portugal por parte das instituições europeias.

Este desafio de António Costa, sobretudo dirigido ao PSD e ao CDS-PP, foi um dos pontos políticos mais significativos da sua intervenção no encerramento do 21º Congresso Nacional do PS na FIL (Feira Industrial de Lisboa). O líder socialista referiu-se em tom de elogio à ação diplomática do chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, contra a aplicação de sanções a Portugal, considerando-as "um absurdo", mas também "injustas, imorais e incompreensíveis". Num discurso em que não seguiu a via de apresentar uma explicação detalhada sobre a atual conjuntura económico-financeira do país, o primeiro-ministro optou antes por frisar que em 2016, de acordo com todas as previsões de instituições internacionais, Portugal deverá registar um défice inferior a três por cento, portanto, respeitando o Pacto de Estabilidade e Crescimento. Em matéria de eventual aplicação de sanções a Portugal, em resultado de resultados orçamentais de 2015, Costa pediu para que haja uma consonância "entre os diferentes órgãos de soberania". "É com muito gosto que tenho visto o senhor Presidente da República assumir em nome de todos os portugueses a defesa da dignidade do país, quer em Portugal, quer em Berlim, ou nos diferentes fóruns internacionais, batendo-se pela causa de Portugal. Acho que daríamos todos um excelente exemplo de acompanhar o Presidente da República e o presidente da Assembleia da República [Ferro Rodrigues] para que seja possível aprovar por unanimidade uma resolução contra a aplicação de sanções a Portugal", disse, recebendo uma salva de palmas dos congressistas socialistas. Na sua intervenção, o secretário-geral do PS referiu-se ao caráter "insólito" de uma União Europeia estar preocupada com uma questão "de duas décimas de défice a mais" registadas por Portugal em 2015, num momento em que se encontra "em risco de ser abandonada pelo Reino Unido". "E isto acontece também num momento em que países da Europa de leste, os quais Portugal apoiou a sua adesão à União Europeia para que pudessem circular livremente no lado de cá, estarem agora, passados dez anos, a fechar as suas fronteiras, não querendo aceitar os outros que chegam do lado de lá", permitindo que "milhares morram afogados" nas travessias do mediterrâneo. António Costa considerou então fundamental "dizer basta" a este estado da União Europeia e, sobretudo, a uma prevalência da corrente neoliberal entre instituições e Estados-membros, colocando então em contraponto a defesa de sanções a Portugal preconizadas pelo líder do Partido Popular Europeu (PPE) e a oposição manifestada pelo presidente do Parlamento Europeu, Martins Schulz, "um alemão, socialista". Esta discussão sobre "duas décimas em que Portugal excedeu o défice orçamental em 2015" foi depois caraterizada pelo chefe do executivo como "absurda" e, sobretudo, como "injusta" em relação "ao povo português, depois de tudo aquilo que sofreu ao longo dos últimos quatro anos". "Mas é também imoral, porque depois de [as instituições europeias] tanto terem elogiado as políticas do anterior Governo, pretenderem agora castigar as políticas antes seguidas. E é igualmente incompreensível quererem agora punir Portugal por aquilo que aconteceu em 2015, num momento em que, nas pior das previsões, Portugal cumprirá em 2016, pela primeira vez, o objetivo de ter um défice abaixo de três por cento", alegou ainda o líder socialista. Neste ponto, António Costa deixou uma farpa dirigida aos primeiros meses de mandato do anterior primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, dizendo que, em nome do interesse nacional, fará diferente em relação ao passado recente de Portugal. "Este Governo não repetirá o erro que em 2011 foi cometido por razões de política interna. Não vamos sacrificar o interesse nacional, contando uma má história sobre a realidade dos problemas do país. Este Governo e o PS, na Assembleia da República ou no Parlamento Europeu, vão bater-se para que nenhuma sanção seja aplicada a Portugal", acrescentou.

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