Cooperativa quer apoio para pescadores dos Açores devido a suspensão da pesca do goraz

Cooperativa quer apoio para pescadores dos Açores devido a suspensão da pesca do goraz

 

Lusa/AO Online   Regional   15 de Jul de 2015, 12:23

Uma "delegação de armadores/pescadores" da ilha de São Miguel vai entregar hoje ao Governo Regional dos Açores um documento a pedir a "aplicação de apoios" na sequência da suspensão da pesca do goraz durante 15 dias.

O Governo dos Açores decidiu interditar a pesca do goraz entre hoje e o final do mês para evitar que a quota deste peixe destinada aos Açores (uma das espécies mais procuradas na região) seja ultrapassada ainda antes do final do ano, altura em que tem maior valor comercial.

Apesar de a medida ter o apoio da maioria das estruturas que integram a Federação de Pescas dos Açores, algumas associações e profissionais contestam esta paralisação, como é o caso de Liberato Fernandes, da Cooperativa Porto de Abrigo.

No seu entender, a suspensão temporária da pesca do goraz devia incidir apenas sobre os pescadores das ilhas que já excederam a sua quota, como é o caso de Santa Maria, Graciosa, Pico e Flores.

"Justifica-se fechar a captura do goraz apenas nas ilhas que ultrapassaram as percentagens a que tinham direito", disse Liberato Fernandes à Lusa, recordando que os pescadores da ilha de São Miguel, a maior dos Açores, "ainda não atingiram 50% da sua quota".

Por isso, à mesma hora em que a Federação de Pescas dos Açores vai estar reunida hoje à tarde em assembleia geral, na ilha Terceira, uma "delegação de armadores/pescadores" da ilha de São Miguel irá entregar ao Governo Regional, em Ponta Delgada, "uma exposição sobre a situação de particular gravidade assim como propostas para imediata aplicação do apoio à paralisação temporária da atividade da pesca que tem vigorado no continente com legislação do Governo da República", anunciou a Porto de Abrigo.

"O que não tem sentido é que um setor que registou quebras de rendimentos enormes, quando é obrigado a parar por razões biológicas, não tenha qualquer apoio, e que esse apoio não seja um favor, seja um direito", insistiu Liberato Fernandes.

Já a Federação de Pescas dos Açores apoia este período de defeso da pesca do goraz.

"Já estamos com quase 70% da quota capturada e teríamos de fazer alguma coisa para que em novembro e dezembro, altura em que o goraz atinge maior valor, os pescadores ainda tenham peixe para pescar", explicou Gualberto Rita.

O presidente da Federação de Pescas entende que esta é uma medida "inteligente" de gestão da quota, embora reconheça que esta paralisação temporária "trará consequências graves" para alguns profissionais do setor.

O Governo dos Açores anunciou a 09 de julho a interdição da pesca do goraz na segunda quinzena de julho, para que este peixe seja capturado quando o seu valor no mercado for mais alto. A União Europeia cortou este ano a quota do goraz para os Açores em 25% e decidiu novo corte de 25% para 2016. O objetivo do Governo açoriano "é garantir que essa quota é usada da forma mais inteligente possível, gastando-a na altura em que o preço de primeira venda do pescado é alto", disse na altura o secretário regional que tutela as Pescas no Governo dos Açores, Fausto Brito e Abreu, acrescentando que é uma forma de garantir "um aumento do rendimento" dos pescadores e de minimizar "o dano" que causa à região "esta redução de quota". O goraz representa 7% do total de capturas nos Açores e 20% do seu valor. O valor comercial do goraz é, por norma, mais baixo entre julho e outubro e entre meados de janeiro e fevereiro.  



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