Convocado protesto em Hong Kong devido ao desaparecimento de livreiros

Convocado protesto em Hong Kong devido ao desaparecimento de livreiros

 

Lusa/AO online   Internacional   7 de Jan de 2016, 10:43

A Aliança de Apoio aos Movimentos Democráticos e Patrióticos na China, de Hong Kong, anunciou que vai realizar um protesto no domingo para exigir respostas por partes das autoridades chinesas relativamente ao desaparecimento de cinco livreiros da antiga colónia britânica.

 

A Aliança de Apoio aos Movimentos Democráticos e Patrióticos na China é conhecida nomeadamente por organizar anualmente a vigília em homenagem às vítimas do massacre de Tiananmen, com Hong Kong a figurar como o único local em toda a China a assinalar a efeméride, a par com a outra e vizinha Região Administrativa Especial, Macau, que também o faz mas numa escala muito menor.

Segundo a Rádio e Televisão Pública de Hong Kong (RTHK), o grupo vai realizar uma marcha no próximo domingo, que vai arrancar da sede do Governo, no complexo de Tamar, com destino ao Gabinete de Ligação da China, e espera que cerca de 5.000 pessoas adiram à manifestação.

O vice-presidente da Aliança, Richard Tsoi, instou a população a juntar-se à iniciativa, afirmando que se trata de um momento crítico para Hong Kong defender os direitos humanos e o princípio “Um país, dois sistemas”, que lhe confere autonomia relativamente a Pequim.

O desaparecimento de cinco livreiros associados à publicação de obras críticas do Partido Comunista da China tem desencadeado uma onda de revolta e preocupação face à suspeita de que foram ilegalmente detidos pelas autoridades da China.

No passado domingo, aproximadamente meia centena de pessoas, incluindo figuras públicas como deputados, manifestaram-se também junto ao Gabinete de Ligação da República Popular da China em Hong Kong para exigir respostas sobre o paradeiro dos desaparecidos e pedindo uma investigação aos desaparecimentos.

Esse protesto teve lugar depois de conhecido o mais recente caso, que envolve Lee Bo, um dos responsáveis da livraria Causeway Books – onde se podem encontrar obras críticas do regime e do Partido Comunista chinês e, portanto, popular entre muitos turistas provenientes da China, dado que lhes veem vedado o acesso a este tipo de leituras.

Lee Bo, de 65 anos, foi visto pela última vez no dia 30 de dezembro, no armazém da Mighty Current, a casa editora proprietária da livraria, num caso que ocorreu semanas depois de quatro dos seus associados terem desaparecido em circunstâncias idênticas e que continua envolto em mistério.

Num espaço de dias, a sua mulher apresentou queixa à polícia e retirou-a, dando conta de que o marido dera sinais de vida ao enviar um fax, escrito à mão, a um amigo, em que terá indicado ter ido à China “pelo seu próprio método”, que estava a trabalhar numa investigação que “pode levar tempo”, e que teve de gerir o assunto de forma “urgente” para evitar que desconhecidos tomassem conhecimento.

Além disso, terá assegurado, na mesma missiva, que estava bem e que tudo decorria com normalidade.

Os outros desaparecidos, além de Lee Bo, que detém passaporte britânico, são o editor, que tem passaporte sueco Gui Minhai, desaparecido numa viagem à Tailândia, o gerente geral do estabelecimento Lu Bo, o principal gestor do negócio, Lin Rongji, e o funcionário Zhang Zhiping.

A estes confusos factos, juntam-se declarações do deputado democrata e advogado dos direitos humanos Albert Ho, segundo o qual estava em preparação um livro sobre a vida amorosa do Presidente chinês, Xi Jinping, em particular sobre uma namorada antiga, o que relacionou com os desaparecimentos.

O Presidente chinês tem levado a cabo uma intensa campanha anticorrupção para punir o alegado hedonismo no seio do Partido Comunista, o que inclui o que são considerados excessos na vida sentimental dos membros do partido, alguns publicados nas obras vendidas pela livraria Causeway Books.

Antiga colónia britânica, Hong Kong foi devolvida à República Popular da China em 1997, sob a fórmula "um país, dois sistemas", que promete manter os sistemas sociais e económicos da cidade durante 50 anos, detendo o estatuto de Região Administrativa Especial.


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