Construção de nova fábrica da Sinaga em avaliação

Construção de nova fábrica da Sinaga em avaliação

 

Lusa/AO online   Regional   6 de Jun de 2016, 15:14

O secretário da Agricultura e Ambiente dos Açores disse que está a ser avaliada a construção de uma nova fábrica de produção de açúcar da empresa pública Sinaga, que tem um passivo de 22 milhões de euros.

 

“É uma das propostas que estão neste momento a ser avaliadas”, afirmou Neto Viveiros, em Ponta Delgada, após ser ouvido na Comissão Permanente de Economia do parlamento açoriano.

Neto Viveiros reconheceu que a empresa, na sua configuração, “não tem possibilidades de vencer o futuro”, referindo que a atual unidade, instalada na cidade de Ponta Delgada, é “bastante antiga” e tem “uma capacidade de produção [de beterraba] perfeitamente desajustada” da atualidade e “daquilo que é expectável que possa crescer”.

“Para além disso, tem custos de manutenção muito elevados e incomportáveis com aquilo que é o negócio do açúcar nos nossos dias”, acrescentou o governante, destacando, por outro lado, a importância da cultura tradicional da beterraba na região, que, “nesta fase de maior dificuldade que a fileira do leite atravessa”, pode ser complementar.

Considerando não haver “outro caminho que não dotar a empresa de uma estrutura mais leve” à realidade dos Açores, o responsável defendeu o aproveitamento de fundos comunitários para que “a beterraba possa continuar, que os postos de trabalho fiquem garantidos, que possam também ser criados alguns negócios alternativos que contribuam para a rentabilidade da empresa”.

Neto Viveiros adiantou que o executivo açoriano fez a aquisição da Sinaga há cerca de seis anos, quando a unidade estava “perfeitamente descapitalizada”, mas rejeitou classificar este processo como falhado.

Para o secretário regional, as sucessivas administrações da unidade confrontaram-se com diversas situações, como a conjuntura do mercado internacional, o preço dos combustíveis, o valor dos juros ou a queda do preço do açúcar.

Neto Viveiros adiantou que a Sinaga regista um passivo de 22 milhões de euros, sendo que os ativos são da ordem dos 20 milhões de euros.

O governante apontou a diversificação de negócios da Sinaga, no turismo ou imobiliário, como forma de ultrapassar os atuais constrangimentos financeiros.

A este propósito referiu que os terrenos da atual fábrica, com cerca de 55 mil metros quadrados, têm “imensas possibilidades”, até na área da museologia.

Não está definida a localização da nova fábrica, mas o objetivo é manter os 71 postos de trabalho.

Alguns dos funcionários estão próximos da reforma.

A 27 de abril, a Lusa noticiou que a fábrica de açúcar Sinaga necessitava de uma injeção de três milhões de euros para resolver problemas de tesouraria que poderão gerar prejuízos de 16 milhões de euros nos próximos três anos.

Os números constam de um plano apresentado à administração daquela empresa de capitais públicos pelo novo administrador da Sinaga, Paulo Neves, e ao qual a agência Lusa teve acesso.

O documento revela que a Sinaga está numa situação de "total estrangulamento de tesouraria" e que necessita de tomar medidas para evitar atingir uma "situação descontrolada".

"A administração tem condições neste momento para poder negociar com bancos as necessidades para ter esses financiamentos", acrescentou Neto Viveiros.

 

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