Conselho de Ilha de São Miguel adia eleição da nova direção

Conselho de Ilha de São Miguel adia eleição da nova direção

 

Lusa/AO Online   Regional   25 de Fev de 2016, 15:44

O Conselho de Ilha de São Miguel não conseguiu eleger hoje, nos Açores, nova direção, tendo a maioria dos seus membros votado, de braço no ar, um adiamento por 15 dias que visa alcançar uma lista consensual.

 

O presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, Ricardo Rodrigues, apresentou, na reunião realizada na Lagoa, uma candidatura à liderança do organismo, tendo proposto, presidente da Associação Agrícola de São Miguel, que a aceitasse integrar, o que foi recusado por Jorge Rita, tendo este avançado, posteriormente, com a sua própria candidatura.

O Conselho de Ilha é um organismo consultivo onde têm assento representantes das câmaras e assembleia municipais, deputados regionais e forças representativas da sociedade civil, dos empresários, associações ambientalistas, das pescas e agricultura, entre outras.

Perante a apresentação da candidatura de Jorge Rita, o autarca Ricardo Rodrigues pediu à mesa o adiamento da eleição, de forma a encontrar uma lista consensual, o que mereceu a aprovação, por braço no ar, de 15 dos conselheiros, tendo 13 votado contra e quatro manifestado a sua abstenção.

Jorge Rita, que acabou por retirar a sua candidatura, visando “despartidarizar” o organismo, na sua leitura, considerou que foi houve uma tentativa “evidente e estranha por parte do PS” que “merece uma reflexão para que as pessoas percebam, cada vez mais, como é que a vida dos nossos políticos está a sobrepor-se a toda a vida social”.

O atual vice-presidente do organismo declarou que a votação do adiamento da votação se fez “por razões estranhas” que se prendem, na sua opinião, com a falta de alguns membros do PS no Conselho de Ilha.

Jorge Rita defendeu que a votação não foi secreta por forma a “coagir os conselheiros”, afirmando que a sua lista era apoiada pelos elementos que representam as forças sociais da sociedade, não sendo gerada por nenhum partido.

Ricardo Rodrigues, que foi quem sugeriu o adiamento da votação para a liderança do Conselho de Ilha, afirmou ter havido uma “clivagem muito nítida” entre PS e PSD e acrescentou não ter receios de eleições.

“A minha opinião é que é possível encontrar uma lista consensual, é pelo menos este o esforço que eu vou fazer”, disse Ricardo Rodrigues, que vai voltar a convidar Jorge Rita para a sua lista.

O dirigente social-democrata Alexandre Gaudêncio subscreveu a posição do líder da Associação Agrícola dos Açores quando defendeu a despartidarização do Conselho de Ilha, acrescentando que o PS se “tenta agarrar a tudo e qualquer coisa através dos seus já extensos tentáculos”.

Manifestando-se apologista de uma lista consensual de que não façam parte figuras partidárias, o atual presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande considerou que se tentou “coagir alguns conselheiros presentes para adiar a votação”.

O dirigente socialista Francisco César, que assume também as funções de deputado no parlamento dos Açores, apelou à serenidade no Conselho de Ilha e a um “esforço para o consenso”, considerando que a atitude do PSD/Açores prende-se com o quadro eleitoral que se vive na região, onde haverá legislativas este ano.

Francisco César considerou que o “que se passou hoje foi algo normal em democracia”, mas salvaguardou que não pode ser apenas o PS a ceder, havendo uma “diferença entre regra e cedência”.

Atualmente, as funções de presidente do Conselho de Ilha de São Miguel são assumidas por Noé Rodrigues, que abandona a liderança do organismo alegando motivos pessoais.


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