Conselho Consultivo de Independentes criado pelo PSD/Açores reuniu centenas de propostas

Conselho Consultivo de Independentes criado pelo PSD/Açores reuniu centenas de propostas

 

Lusa/AO online   Regional   7 de Fev de 2015, 15:12

O trabalho desenvolvido ao longo do último ano pelo Conselho Consultivo de Independentes, criado pelo PSD/Açores, originou "centenas" de propostas, que serão publicadas num livro e servirão de "base" ao programa eleitoral e de governo do partido.

 

"Não há varinhas mágicas, mas há sobretudo a preocupação de que esta expressão 'não se pode resolver tudo num dia' não esgota a tentativa de resolver, porque muitas vezes nós acabamos por não fazer nada porque as coisas demoram tempo, mas há coisas que demoram mesmo tempo, mas é preciso começar a fazê-las agora. Devíamos ter começado a fazê-las há 10 anos, há 20 anos", frisou, em declarações à Lusa, o escritor Joel Neto, coordenador geral do Conselho Consultivo de Independentes.

Os coordenadores das várias áreas de trabalho do Conselho Consultivo de Independentes (família, desenvolvimento, cidadania e economia) apresentaram, hoje, em Angra do Heroísmo, um balanço dos resultados obtidos, mas a totalidade das propostas só será conhecida com a publicação de um livro, o que deverá ocorrer antes do congresso do partido, no final de março.

Segundo Duarte Freitas, líder regional do PSD, as propostas do Conselho Consultivo de Independentes serão vertidas para a moção que vai apresentar no congresso do partido e servirão de base ao programa eleitoral e de governo nas próximas eleições legislativas regionais (2016), mas poderão também ser utilizadas pelo Governo Regional socialista ou por outras forças políticas.

No encerramento da convenção do Conselho Consultivo de Independentes, Duarte Freitas sublinhou que os Açores têm hoje um "problema grave de falta de coesão territorial e de coesão social", alertando para a desertificação de algumas ilhas e freguesias.

Nesse sentido, disse que o PSD pretende "resgatar" as ilhas e "reconstruir" a região, apontando culpas à governação socialista.

"Temos responsáveis que não estão em Lisboa, nem em Bruxelas, nem na ilha ao lado", frisou.

Também Joel Neto salientou um conjunto de indicadores sociais que colocam os Açores em último lugar no desenvolvimento socioeconómico, como a taxa de desemprego ou as detenções por abuso sexual.

"Todas as semanas há um índice novo, em que nos destacamos da média nacional, quase sempre pela negativa", frisou.

As centenas de propostas identificadas pelo Conselho Consultivo de Independentes defendem, por exemplo, uma autonomização da população, uma maior participação cívica, a alavancagem do setor privado e a concretização de estratégias para a região sem interferência de interesses instalados.

No encontro foram apontadas algumas propostas, como a criação de um programa de combate ao abandono escolar, com a criação de um currículo teórico profissionalizante a partir do 7.º ano e de espaços de ocupação de tempos livres, para jovens dos 12 aos 16 anos.

No documento final será sugerido também o pagamento semanal de salários, em vez de mensal, a criação de programas de proteção de empresas e do comércio tradicional, ou a majoração, em sede de IRS, das despesas de contratação de quadros qualificados.

Entre os que participaram ativamente e os que foram apenas auscultadas, colaboraram "perto de uma centena de pessoas", ao longo de um ano, mas nem todos quiseram que o seu nome fosse associado ao projeto.

"Aquilo que me inquieta aqui não são as recusas, porque me parece natural que haja pessoas que não tenham tempo, não queiram participar ou não se revejam nas posições do partido que encomendou este trabalho, o que me inquieta mais é que haja tantas pessoas a participar sem quererem que o seu nome seja conhecido. Isso é um sinal de que têm medo e esse medo não é uma efabulação", salientou Joel Neto.

O escritor considerou que existe nos Açores muita dependência da administração pública, o que tem afastado a população de uma participação cívica ativa e levado a que a região tenha perdido "muita massa crítica".

"Não nos podemos esquecer de que a administração pública é o grande empregador da região, de que a administração pública é usada como uma ferramenta eleitoral e, portanto, é usada como uma arma em muitos sentidos para condicionar e noutros sentidos para estimular", frisou.

O Conselho Consultivo de Independentes contou com a colaboração na coordenação dos grupos da professora universitária Ana Margarida Furtado (família), do professor Carlos Bessa (cidadania), do gestor bancário Nuno Araújo (economia) e de Catarina Furtado, mestre em ambiente, saúde e segurança (desenvolvimento).

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