Congresso investiga manipulação em caso de centro de informações que pode ir para as Lajes


 

Lusa/AO online   Internacional   20 de Jul de 2015, 18:56

O Congresso dos EUA está a investigar a manipulação de estudos que justificam a construção de um centro de informações em Inglaterra, segundo uma carta interna a que a Lusa teve acesso.

 

Este é o mesmo centro que poderá vir a ter sede na Base das Lajes, de acordo com diferentes iniciativas legislativas que aguardam aprovação do Senado e do Presidente norte-americano.

No documento consultado pela Lusa, o congressista Jason Chaffetz, presidente do Comité de Reforma de Governo e Regulação, pede ao secretário de Defesa, Ashton Carter, acesso a "todas as comunicações e documentos internos" relativos à decisão de construir o novo centro e de reduzir a presença nas Lajes.

O representante especifica ainda que quer ter acesso às comunicações internas estabelecidas com a embaixada dos Estados Unidos em Lisboa, bem como com o comando para a Europa (EUCOM) e Africa (AFRICOM).

Chaffetz diz que fontes no Pentágono lhe garantem que as estimativas de custo do novo centro têm base em informação distorcida e incompleta que fazem a opção de nova construção parecer mais barata e a reutilização das Lajes parecer mais cara.

"Estamos preocupados com o facto de o plano do Departamento [de Defesa] de enviar estas atividades dos Serviços de Informação para RAF Croughton ter sido concebido de forma imprópria e não considerar a existência de outras instalações, incluindo as que existem na Base das Lajes", diz Chaffetz na carta.

O congressista diz ainda que a manipulação da informação "é altamente suspeita".

Em junho, a Lusa noticiou uma série de iniciativas legislativas da Câmara dos Representantes que suspendem a construção deste complexo no Reino Unido até ser provado que a Base das Lajes não pode cumprir essa função.

O novo complexo está planeado para a base de Croughton, em Inglaterra, e, ao reunir várias agências e organismos dos serviços de informação, será o maior deste género fora do território norte-americano.

A sua construção está orçamentada em 317 milhões de dólares, cerca de 281 milhões de euros.

A linguagem relativa às Lajes incluída na lei orçamental da Defesa, Militar e da Construção Militar e no orçamento dos Serviços de Informação foi apresentado pelo congressista luso-descendente Devin Nunes e proíbe a nova construção até ficar provado que a Base das Lajes não o pode acolher.

"A Câmara dos Representantes já disse de forma clara que a base das Lajes deve ser reaproveitada. É alarmante que o Departamento de Defesa queira levar os contribuintes numa viagem louca, gastando centenas de milhões de dólares a construir em outros locais infraestruturas que já existem nas Lajes", disse na altura Devin Nunes, que preside ao comité dos serviços de informação da Câmara dos Representantes, à agência Lusa.

O Pentágono disse recentemente que, a longo prazo, instalar o centro nas Lajes custaria mais mil milhões de dólares mais do que em Inglaterra.

Nunes diz que essa estimativa é "risível" e reafirma que a opção açoriana permite a poupança de centenas de milhões de dólares.

A Lusa sabe também que, em maio, os dois generais responsáveis pelo comando Europeu e Africano, David Rodriguez e Philip Breedlove, escreveram uma carta classificada ao luso-descendente pedindo que Nunes apoiasse o plano de construção na Inglaterra.


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