Congresso adverte Donald Trump que sancionar Venezuela pode afetar economia dos EUA

Congresso adverte Donald Trump que sancionar Venezuela pode afetar economia dos EUA

 

AOnline/LUSA   Internacional   6 de Ago de 2017, 13:22

O Congresso dos Estados Unidos enviou uma carta ao Presidente do país, Donald Trump, advertindo-o sobre os efeitos imediatos que pode ter para a economia norte-americana a eventual imposição de sanções à Venezuela afetando o setor petrolífero.

"A Venezuela é o terceiro maior fornecedor de petróleo dos Estados Unidos, depois do Canadá e da Arábia Saudita. Cerca de 90% do petróleo venezuelano importado para os Estados Unidos é processado na Costa do Golfo. O transporte dessa quantidade de petróleo aumentaria os custos para refinar, reduziria a eficiência e aumentaria os preços dos combustíveis para os consumidores", explica o documento, publicado na Internet.

"Partilhamos a sua preocupação sobre a intenção do Governo da Venezuela com a formação de uma Assembleia Constituinte para reescrever ostensivamente a Constituição, o que consolidaria ainda mais poder do Presidente Maduro e faria corroer os vestígios das instituições democráticas", sublinham.

Contudo, segundo os congressistas, as sanções poderiam "desestabilizar os mercados de petróleo a nível mundial, aumentar os preços mundiais do petróleo, e fortalecer as economias do Irão e da Rússia".

"Estamos preocupados pelo impacto que quaisquer sanções relacionadas com o setor energético, que possam ser impostas à Venezuela, venham a ter para os cidadãos dos EUA. As consequências imprevistas já foram percebidas numa variedade de esforços bem-intencionados, através dos anos, inclusive com o nosso próprio embargo petrolífero recentemente retirado", explicam.

Por outro lado, referem ainda temer "que mais venezuelanos sofram com uma crise económica ainda mais profunda, de contínua escassez de alimentos e medicamentos, de contínua corrupção do Governo, o encarceramento político e o aumento da violência contra os grupos da oposição".

"Ao formular uma resposta apropria (à decisão de Caracas de avançar com a Constituinte), acreditamos que é vital reconhecer o papel do setor de refinação norte-americano para o nosso interesse nacional e económico. Os remédios potenciais devem ter em conta as instalações energéticas na Costa do Golfo dos EUA, que estão especificamente desenhadas para processar petróleo mais pesado como o venezuelano", explicam.

Na missiva os congressistas explicam que 51% da capacidade de refinação dos EUA está na Costa do Golfo, nos Estados de Luisiana, Mississippi e Texas, onde há 32.000 empregos diretos e mais de 49.000 indiretos e incluídos num universo de 525.000 postos de trabalho relacionados com a refinação.

"À medida que a sua [de Donald Trump] administração considere medidas adicionais para deter e reverter esse declive, instamos a que os métodos usados protejam a fortaleza das nossas refinarias, tão vitais para segurança energética dos EUA", sublinham os congressistas.

O documento conclui aplaudindo os esforços para "contrariar o inquietante declive da democracia e do bem-estar social na Venezuela".



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