Congressistas pedem congelamento de fundos para centro dos EUA no Reino Unido

Congressistas pedem congelamento de fundos para centro dos EUA no Reino Unido

 

AO/Lusa   Regional   25 de Jul de 2015, 10:15

Os congressistas luso-descendentes David Valadão e Jim Costa lideram uma carta assinada por 112 representantes de ambos os partidos que pede o congelamento dos fundos necessários para a construção de um centro de informações dos EUA em Inglaterra.

 

Este é o mesmo centro que poderá vir a ter sede na Base das Lajes, de acordo com diferentes iniciativas legislativas que aguardam aprovação do Senado e do Presidente norte-americano, se não se verificar a instalação de serviços de informações na base de RAF Croughton, em Northamptonshire, Inglaterra.

A carta foi enviada sexta-feira, dias depois de a Lusa noticiar que o Congresso está a investigar a manipulação de estudos que justificam a construção de um centro de informações em Inglaterra.

Os representantes pedem que os fundos sejam congelados até esta investigação estar terminada.

"É desapontante saber que o Departamento de Defesa pode ter dado ao Congresso uma estimativa errada em relação à consolidação das bases na Europa. Durante 70 anos, [a Base das] Lajes provou ser uma componente importante para assegurar a nossa segurança nacional", disse o democrata Jim Costa

Por sua vez, o republicano David Valadão considerou "inaceitável que o Departamento de Defesa tenha usado informação imprópria e cálculos errados, quando tomava decisões" sobre este tema.

"Em tempos economicamente difíceis, é essencial usar a melhor e mais correta informação quando se tomam decisões de despesas militares. Deslocar estas instalações para a base das Lajes, em vez de construir umas novas, poderia poupar aos EUA centenas de milhões de dólares", explicou o político descendente de açorianos.

No documento consultado pela Lusa que deu inicio à investigação, o congressista Jason Chaffetz, presidente do Comité de Reforma de Governo e Regulação, pede ao secretário de Defesa, Ashton Carter, acesso a "todas as comunicações e documentos internos" relativos à decisão de construir o novo centro e de reduzir a presença nas Lajes.

Chaffetz diz que fontes no Pentágono lhe garantem que as estimativas de custo do novo centro têm base em informação distorcida e incompleta que fazem a opção de nova construção parecer mais barata e a reutilização das Lajes parecer mais cara.

"Estamos preocupados com o facto de o plano do Departamento [de Defesa] de enviar estas atividades dos Serviços de Informação para RAF Croughton ter sido concebido de forma imprópria e não considerar a existência de outras instalações, incluindo as que existem na Base das Lajes", diz Chaffetz na carta.

O congressista diz ainda que a manipulação da informação "é altamente suspeita".

Em junho, a Lusa noticiou uma série de iniciativas legislativas da Câmara dos Representantes que suspendem a construção deste complexo no Reino Unido, até ser provado que a Base das Lajes não pode cumprir essa função.

O novo complexo está planeado para a base de Croughton, em Inglaterra, e, ao reunir várias agências e organismos dos serviços de informação, será o maior deste género fora do território norte-americano.

A sua construção está orçamentada em 317 milhões de dólares, cerca de 281 milhões de euros.

A linguagem relativa às Lajes incluída na lei orçamental da Defesa, Militar e da Construção Militar e no orçamento dos serviços de informação foi apresentado pelo congressista luso-descendente Devin Nunes e proíbe a nova construção até ficar provado que a Base das Lajes não o pode acolher.

O Pentágono disse recentemente que, a longo prazo, instalar o centro nas Lajes custaria mil milhões de dólares mais do que em Inglaterra.

Nunes diz que essa estimativa é "risível" e reafirma que a opção açoriana permite a poupança de centenas de milhões de dólares.


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