Confrontos em Moçambique sem danos na economia

Confrontos em Moçambique sem danos na economia

 

Lusa / AO online   Economia   16 de Ago de 2014, 11:51

O presidente do Instituto para a Promoção das Exportações de Moçambique (IPEX), João Macaringue, considerou que os confrontos entre Governo e oposição no último ano e meio não afetaram a economia moçambicana nem a imagem do país no exterior.

 

Em entrevista à Lusa, em vésperas da inauguração da Feira Internacional de Maputo (Facim), organizada pelo IPEX e que este ano terá um número recorde de pelo menos 2700 participantes, João Macaringue disse que a convicção dos moçambicanos foi sempre de uma crise "passageira e localizada" e que a atividade económica manteve o seu ritmo em quase todas as zonas do país, "apesar dessas adversidades aqui e ali".

O presidente do IPEX deu o exemplo na estrada N1, a única que liga o sul e o centro do país, e onde há mais de um ano, num troço de cem quilómetros, só se circula em colunas de veículos escoltadas pelo exército, frequentemente atacadas pelo braço armado da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo).

"Apesar de um ataque ou outro, as pessoas fizeram-se sempre à estrada, como um sinal de determinação, de que querem paz e desenvolver o país, não querem mais guerra", afirmou.

O aumento substancial da procura por um lugar de exposição na 50.ª edição da Facim sugere que a feira também não se ressentiu desta crise, segundo João Macaringue, embora existisse inquietação em relação ao transporte de grandes quantidades de produtos para exibir no evento, a partir de 25 de agosto, e que entretanto se começou a diluir quando os ataques cessaram e foi anunciado um acordo para o fim das hostilidades

"A Facim é uma festa, são 50 anos, é a montra nacional, tem de ser um brilho e está aí", declarou o presidente do IPEX, que também afastou a possibilidade de um efeito negativo da crise na imagem de Moçambique no exterior.

"Com base nos elementos de referência, não me parece que tenhamos uma situação dessa natureza", considerou, admitindo no entanto que "a inquietação existe" mas também a ideia de que "todo o mundo quer paz, quer investir e conhece o potencial de Moçambique", um país que cresce acima dos 7% há vários anos.

Do mesmo modo, o presidente do IPEX recusou que a venda por apenas 50 milhões de dólares da participação da mineradora Rio Tinto na província de Tete, adquirida há três anos por quase quatro mil milhões, sinalize uma perspetiva desfavorável para o investimento estrangeiro em Moçambique, destacando "a quantidade de pedidos de países, empresas e pessoas que acedem ao país à procura de oportunidades".

João Macaringue integrou em 1996 o grupo de trabalho que se encarregou do processo de remoção de barreiras administrativas ao investimento com vista a tornar o ambiente de negócios mais atraente.

"Olhando para o ponto de partida e o estado em que nos encontramos, posso falar com bastante segurança que o ambiente de negócios no país melhorou muito", garantiu, reconhecendo que, "entre a reforma legislativa e a aplicação prática, há sempre um período de ajustamento" e também que as dificuldades aumentam fora dos grandes centros.

"Mas quero acreditar que tudo está no bom caminho, porque existe uma estratégia para melhoria do ambiente de negócios, que tem sido implementada, inclusive com apoio do setor empresarial privado", considerou.

O presidente do IPEX disse ainda que os megaprojetos em Moçambique estão a ajudar a equilibrar a balança comercial, mas o foco da instituição é "o alargamento e diversificação das exportações de moçambique", centradas nas pequenas e médias empresas, como forma de criação de emprego e combate à pobreza.

"Estamos satisfeitos sim, o impacto dos megaprojetos é substancial, mas o nosso grande objetivo ainda continua por atingir", declarou, referindo-se "à sustentabilidade da economia através do desenvolvimento de produtos com maior valor acrescentado".

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