Condutor de autocarro dos Açores nega desrespeito de regras em atropelamento mortal

Condutor de autocarro dos Açores nega desrespeito de regras em atropelamento mortal

 

Lusa/AO Online   Regional   26 de Fev de 2016, 17:37

Um condutor de um autocarro, acusado de homicídio por negligência grosseira, negou hoje ter desrespeitado regras de segurança, no âmbito de um atropelamento mortal de uma criança, ocorrido a 17 de fevereiro de 2014.

 

Este motorista, atualmente reformado, começou a ser julgado no Tribunal Judicial de Ponta Delgada, afirmando que no dia do acidente fez “tudo normal, como sempre”, tendo-se certificado pelos "espelhos retrovisores" do autocarro que já tinham saído todos os passageiros e “fechou a porta”, arrancando “lentamente”.

O autocarro era de uma empresa privada e transportava estudantes, entre eles o menor, da freguesia do Livramento até à cidade de Ponta Delgada, ilha de São Miguel. O acidente ocorreu pelas 08:00, na avenida marginal, quando o menor estava a sair do autocarro e ficou preso pela mochila na porta traseira, acabando por ser atropelado pela roda do veículo.

A acusação alega que o arguido, de 58 anos, "não esperou" que a criança de 10 anos "saísse por completo do autocarro, tendo fechado a porta do veículo.

“Olhei e não vi ninguém”, garantiu, afirmando que só se apercebeu da existência de "um objeto na escada" (a mochila do aluno) quando teve que se dirigir aos bancos traseiros para “mandar sentar” os estudantes, alegando que "estava sempre a mandar calar os miúdos" e "muitas vezes até tinha de parar o autocarro".

O arguido, que disse ter sido motorista durante 20 anos, garantiu que não se apercebeu dos alertas para parar a viatura, acrescentando que só viu a vítima após sair do autocarro e ficou "em pânico".

Mas, um condutor de um outro veículo, que seguia atrás do autocarro, assegurou que advertiu o motorista para a situação.

Esta testemunha disse ainda que "apitou" várias vezes e dirigiu-se, depois, ao autocarro, e foi nesta altura que o motorista "abriu a porta e perguntou: o que se passa?".

Uma das testemunhas, passageira do autocarro no dia do acidente, mas que saiu numa paragem antes da vitima, disse que foi alertada “pelos gritos desesperados” de populares e ainda tentou salvar o menor que estava “preso na porta do autocarro” "agarrando-lhe pela mão", mas ele acabou por "cair do autocarro” quando as portas se abriram com a viatura em andamento”.

Esta testemunha declarou ainda que o arguido estava “sempre com pressa” e "não respeitava ninguém".

Já uma estudante, que seguia no autocarro, garantiu ter visto a mochila da vítima "trancada na porta pelo lado interior" da viatura, enquanto o menor estava “do lado de fora”.

A jovem afirmou que chegou a pedir em “voz alta" para o motorista parar, mas "ele não ouviu e não parou”, acrescentando que o motorista utilizava “algumas vezes o telemóvel" durante a condução e estava “sempre com pressa”.

Admitiu que o arguido pedia, por vezes, aos estudantes para se sentarem, mas quando se deu o acidente “estava silêncio".

Uma outra estudante, que saiu do autocarro antes da vítima, afirmou que foi alertada pelos “gritos” de populares que “mandavam o condutor parar” e confirmou ter visto o menor fora do autocarro, acrescentando que o arguido era um condutor “com pressa”.

O julgamento vai prosseguir com a audição de mais testemunhas e o tribunal poderá determinar uma inspeção ao local do acidente, solicitada pela defesa do arguido.


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