Itália

Condenados a seis anos de prisão cientistas acusados de subestimaram riscos do sismo de L'Aquila

Condenados a seis anos de prisão cientistas acusados de subestimaram riscos do sismo de L'Aquila

 

Lusa/AO online   Internacional   22 de Out de 2012, 17:35

Sete cientistas italianos, acusados de terem subestimado os riscos do forte sismo que abalou em 2009 a cidade de L'Aquila, foram esta segunda-feira condenados a seis anos de prisão por "homicídio por imprudência", noticiaram as agências internacionais.

O veredicto foi proferido pelo tribunal de L'Aquila, cidade localizada na região dos Abruzos (centro de Itália), de acordo com a agência francesa AFP.

A 06 de abril de 2009, um sismo de magnitude 6,3 atingiu L'Aquila e as cidades mais próximas, fazendo mais de 300 mortos. O terramoto, que destruiu vários edifícios, fez igualmente vários milhares de desalojados.

Em finais de setembro último, o Ministério Público de L'Aquila pediu uma pena de quatro anos de prisão para os sete membros que compõem a Comissão para situações de emergência italiana: seis peritos em sismos e o vice-diretor da Proteção Civil, Bernardo De Bernardinis.

Entre os acusados figuram grandes nomes da ciência em Itália, como o professor Enzo Boschi, até recentemente presidente do Instituto de Geofísica e Vulcanologia, ou um professor de Física da Universidade de Génova, Claudio Eva.

Um dos argumentos apresentados pelo Ministério Público foi que a comissão de cientistas esteve reunida a 31 de março de 2009 em L'Aquila, seis dias antes do sismo, e que após o encontro não tomou qualquer medida de precaução.

Em declarações divulgadas em finais de setembro, o procurador Fabio Picuti denunciou que a comissão apenas transmitiu "informações banais, inúteis, autocontraditórias e falaciosas".

A defesa pediu a absolvição dos peritos, argumentando que nenhum cientista pode prever um sismo.

“Não podemos considerar esta decisão como uma vitória. É uma tragédia, não vai trazer de volta os nossos familiares”, reagiu Aldo Scimia, cuja mãe morreu no sismo.

“Continuo a considerar que foi um massacre cometido pelo Estado, (…) esperamos agora que os nossos filhos tenham vidas mais seguras”, acrescentou Aldo Scimia.

Antes da divulgação do veredicto, o procurador Fabio Picuti não hesitou em estabelecer uma comparação entre a situação de L'Aquila e a avaliação dos riscos terroristas nos Estados Unidos, na altura dos atentados de 11 de setembro de 2001.

“Após 11 de setembro [de 2001], um relatório identificou uma análise insuficiente dos riscos”, indicou Picuti, recordando que os acontecimentos acabaram por desencadear a demissão do diretor da CIA (serviços secretos norte-americanos) e do adjunto.


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