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Concentração em Ponta Delgada quer provocar reflexão sobre cultura nos Açores

 Concentração em Ponta Delgada quer provocar reflexão sobre cultura nos Açores

 

Lusa/AO Online   Regional   6 de Abr de 2018, 09:11

Um dos objetivos de uma concentração marcada sexta-feira para Ponta Delgada, é provocar uma reflexão sobre a cultura nos Açores, juntando também a maior cidade açoriana à contestação ao processo de atribuição das verbas ao setor.

“Aparecendo ou não pessoas na concentração é exatamente isto que se pretende, ou seja, provocar a reflexão sobre a cultura nos Açores. De que forma trabalham na região os artistas e que tipos de preocupações têm os agentes culturais”, afirmou, em declarações à agência Lusa, Cristina Cunha, com formação artística de cenografia e dirigente da Associação Corredor.

A artista organiza sexta-feira, pelas 17:00 locais (mais uma hora em Lisboa) uma concentração em frente ao Teatro Micaelense, na cidade de Ponta Delgada, ilha de São Miguel.

“É como cidadã que organizo a concentração, porque a nível nacional estão-se a discutir várias questões que vão muito além das artes. É uma questão política e discute-se o papel do Estado em relação a este serviço público e é importante incluir os Açores, porque também na região se levantam perguntas”, salientou.

Cristina Cunha considerou que não há razão para não existirem nos Açores as mesmas preocupações que as de âmbito nacional e até outras acrescidas tendo em conta a questão da dispersão geográfica e o afastamento dos grandes centros urbanos e o acesso aos eventos culturais.

A artista referiu que não é possível que estejam “só contentes, por pela primeira vez os Açores poderem concorrer”, sendo preciso “estar também nas lutas".

“O arquipélago é o cantinho do céu o que não quer dizer que não haja outros géneros de problemas, até porque a falta de quantidade de oferta brutal e não nos podemos comparar nunca com um grande centro e é preciso perceber se a programação oferecida é uma mais-valia”, referiu.

Quanto ao novo reforço de 2,2 milhões de euros no financiamento do programa destinado às artes e questionada se se justificam as manifestações agendadas para sexta-feira, a dirigente da Associação Corredor sustentou que continua "a fazer todo o sentido" as iniciativas marcadas, alegando que "estes apoios até nem são suficientes e há um desconhecimento e uma desinformação no país sobre a cultura".

"A maioria das pessoas não entende estas questões não sabe quanto custa fazer um espetáculo ou gravar um álbum e não entendem que os artistas são aqueles que investem a maior parte mesmo sendo a cultura uma responsabilidade do Estado", defendeu, frisando que "o Estado não está a enriquecer quando investe no setor, porque vai haver um retorno que é património material e imaterial".

Os concursos do Programa Sustentado da DGArtes, para os anos de 2018-2021, partiram com um montante global de 64,5 milhões de euros, em outubro, subiram aos 72,5 milhões, no início desta semana, perante a contestação no setor, e o secretário de Estado da Cultura, já tinha admitido, na terça-feira, em conferência de imprensa, a possibilidade de essa verba vir a ser reforçada, já este ano, numa articulação entre o Ministério da Cultura e o gabinete do primeiro-ministro.

Para 2018, o Programa de Apoio Sustentado tinha previsto inicialmente um montante de 15 milhões de euros, que agora ascende a 19,2 milhões com os dois reforços dos últimos dias.

O Programa de Apoio Sustentado às Artes 2018-2021 envolve seis áreas artísticas - circo contemporâneo e artes de rua, dança, artes visuais, cruzamentos disciplinares, música e teatro – tendo sido admitidas a concurso, este ano, 242 das 250 candidaturas apresentadas. Os resultados provisórios apontam para a concessão de apoio a 140 companhias e projetos.

Sem financiamento, de acordo com estes resultados, ficaram companhias como o Teatro Experimental do Porto, o Teatro Experimental de Cascais, as únicas estruturas profissionais de Évora (Centro Dramático de Évora) e de Coimbra (Escola da Noite e O Teatrão), além de projetos como a Orquestra de Câmara Portuguesa, a Bienal de Cerveira e o Chapitô.

Estes dados deram origem a contestação no setor, e levaram o PCP e o Bloco de Esquerda a pedir a audição, com caráter de urgência, do ministro da Cultura e da diretora-geral das Artes, em comissão parlamentar.



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