Comunidade luso-americana critica primeiro mês de Trump

Comunidade luso-americana critica primeiro mês de Trump

 

LUSA/AO Online   Internacional   18 de Fev de 2017, 14:09

Representantes da comunidade portuguesa nos EUA ouvidos pela Lusa fazem uma avaliação negativa do desempenho de Donald J. Trump no seu primeiro mês como Presidente.

"Para um Presidente que prometeu trabalhar pela unidade, não tem feito outra coisa senão dividir a nação", diz Lurdes da Silva, diretora de "O Jornal", uma publicação de Massachusetts. A jornalista diz que "o comportamento impulsivo [de Trump] já mostrou que pode acarretar sérias consequências dentro e fora das fronteiras e, como tal, ele deveria analisar mais ponderadamente os potenciais efeitos da sua retórica e dos atos que comete". A jornalista referia-se, por exemplo, à restrição de cidadãos de sete países de viajar para os EUA e o bloqueio temporário da vinda de refugiados, que causou medidas retaliatórias de alguns dos países. "Em vez de continuar a usar uma estratégia de ataque, Trump precisa de exercer um pouco mais de diplomacia e de tentar trabalhar com os outros ramos do poder de modo a atingir consensos em prol da nação", explica Lurdes da Silva. "Mais do que nunca, precisamos de pontes para unir e não de muros para separar", acrescenta. O conselheiro da comunidades portuguesas Gabriel Marques diz que "não há dúvida de que o primeiro mês de mandato do Presidente Trump foi muito difícil" e que o maior problema "é que a administração tem muitos altos cargos ainda vazios, aguardando a sua confirmação ou simplesmente sem nomeados." "A situação cria um sentimento de incerteza no governo e, mais importante, cria uma falta de liderança em dezenas de departamentos que prestam serviços críticos aos cidadãos. Vimos um claro exemplo desta falta de liderança com a implementação da ordem executiva de imigração. Milhares de funcionários do governo foram deixados livres para interpretar a ordem por conta própria, deixando milhares em limbo até uma retração embaraçosa", explica. Ainda assim, o conselheiro diz que algumas medidas políticas estão a funcionar, e aponta para o comportamento positivo da bolsa de valores, por exemplo. "A economia tem estado muito forte devido à intenção de Trump de reduzir regulamentos para negócios, reformar o código do IRS e também vimos um aumento nos investimentos por parte das empresas que, de outra forma, consideravam deixar o EUA", explica. O conselheiro diz que "a maioria das pessoas espera que a incerteza se acalme depois dos cargos mais importantes estarem preenchidos", mas muitos duvidam "que isso realmente aconteça." Segundo uma sondagem da Gallup, as taxas de aprovação de Trump estão 21 por cento abaixo da média para presidentes há um mês no poder. Cerca de 40 por cento dos americanos aprova o trabalho do seu novo presidente, contra 64 por cento que aprovava o desempenho de Barack Obama na mesma altura em 2009. Segundo a mesma sondagem, Donald Trump gera opiniões muito polarizadas: 75 por cento dos inquiridos aprovam muito fortemente, ou desaprovam muito fortemente, o desempenho do presidente.

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