Comunidade científica nos Açores intensifica investigação ao banco submarino Condor

Comunidade científica nos Açores intensifica investigação ao banco submarino Condor

 

LUSA/AO online   Economia   15 de Mai de 2017, 16:16

O Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores, vai aproveitar o encerramento à pesca no banco Condor, ao largo da ilha do Faial, para instalar novos meios de investigação no local.

O anúncio foi feito hoje, na Horta, pela investigadora Eva Giacomelo, no final de uma reunião do grupo de trabalho criado para avaliar as medidas de proteção ao banco Condor, que integra representantes do Governo, da Inspeção Regional das Pescas e das associações de armadores e pescadores.

"Foram apresentados resultados das campanhas de monitorização, que decorreram em 2016, às espécies demersais no banco Condor", explicou a investigadora, acrescentando que, "até 2020, haverá projetos europeus a decorrer no local", que incluem a instalação de novos equipamentos em permanência naquela zona.

Por essa razão, Eva Giacomelo entende que a proibição da pesca profissional no banco Condor, que vigora desde junho de 2010, deve manter-se durante mais alguns anos, para que os investigadores possam continuar a estudar o comportamento das espécies no local.

"Isso é uma decisão que não compete a nós, mas claro que nós apoiaremos essa decisão", admitiu a investigadora, recordando que ter uma área protegida, tão perto da costa, "é uma mais-valia" para a investigação científica, porque permite recolher dados "em situações de reduzida interferência humana".

Gui Menezes, atual secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia, foi um dos pioneiros deste projeto de investigação, quando, em 2010, propôs, na qualidade de investigador do DOP, o encerramento à pesca do banco Condor.

Agora, volvidos sete anos, o governante continua a defender a manutenção do regime de proteção naquele local, para que a investigação científica possa continuar a fazer o seu papel.

"Foram apresentados dados novos muito interessantes, em relação à marcação de algumas espécies no local, que nos permite perceber melhor quais os movimentos destas espécies, quais são as suas dinâmicas, e isso tem uma importância incalculável para o resta da pesca", considerou Gui Menezes.

O secretário regional do Mar diz que a decisão de manter o banco Condor encerrado à atividade piscatória só será tomada no final deste ano, mas vai já adiantando que é preciso "manter fechada aquela zona", a favor do conhecimento científico e da gestão dos recursos marinhos.

A opinião que é também partilhada pelas associações de pescadores e armadores que estiveram presentes nesta reunião e que compreendem a utilidade de manter a proibição da pesca no banco Condor.

"Há um investimento muito grande da ciência naquele banco e não será a sua abertura à pesca que vai enriquecer os pescadores dos Açores", reconheceu José António Fernandes, da Associação de Armadores da Pesca Artesanal da ilha do Pico.

Também Jorge Gonçalves, da Associação de Pescadores de Espécies Demersais dos Açores, é favorável à manutenção do regime de proibição de pesca no Condor, reconhecendo, porém, que terá de discutir primeiro o assunto com os seus associados.

Desde 2010 que os investigadores do DOP monitorizam a comunidades de peixes demersais ao largo do Condor, um banco submarino com cerca de 1.800 metros de altura, 39 km de comprimento e 23 km de largura.

O Condor, situado a apenas 17 km a oeste-sudoeste da ilha do Faial, é um dos bancos submarinos mais acessíveis para a comunidade científica, já que a maioria desde montes se encontra no oceano profundo e em mar alto, longe da costa das ilhas.


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