Comparecer no parlamento é assunto do Departamento de Estado


 

Lusa/AO Online   Regional   29 de Jan de 2015, 16:18

O embaixador dos Estados Unidos em Portugal afirmou que comparecer no parlamento para falar da base das Lajes não lhe compete, tratando-se de políticas do Departamento de Estado, sendo o seu interlocutor adequado o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

 

Em declarações a jornalistas depois de um almoço organizado pela Associação de Amizade Portugal–EUA no Porto, Robert Sherman, explicou que recusou a audição na Assembleia da República sobre a base das Lajes por “não ser um assunto da embaixada, [mas sim] um assunto do Departamento de Estado que envolve políticas do Departamento de Estado pelo mundo fora”.

“O Departamento de Estado tem uma política segundo a qual, e uma vez que os parlamentos lidam com os assuntos internos de um país, em assuntos externos contactamos com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, que seria a fonte adequada para nós dialogarmos”, afirmou o diplomata.

Numa resposta escrita enviada à Lusa também hoje, a embaixada dos Estados Unidos explicou que tem por “política geral não permitir testemunhos ou aparições perante parlamentos ou legislaturas estrangeiros por parte de qualquer representante diplomático”, remetendo para a Convenção de Viena sobre a não-intromissão em assuntos internos de um país.

Sobre a redução de pessoal na base das Lajes, nos Açores, o embaixador sublinhou que a estrutura chegou a contar com mais de 1.600 pessoas para servir “menos de dois voos por dia”, precisando os militares dos EUA de “ser rápidos e flexíveis de forma a chegar aos ‘pontos quentes’ do mundo”.

Robert Sherman realçou que pretendem trabalhar com o Governo Regional dos Açores e o Governo central para desenvolver iniciativas que ajudem a região e criem empregos.

Durante o momento de perguntas e respostas no almoço, Sherman disse que os Estados Unidos “não vão voltar as costas às pessoas” das Lajes e que estão “comprometidos enquanto governo no desenvolvimento de empregos que ajudem a mitigar os efeitos económicos” da redução.

Robert Sherman recusou o convite para a audição dos deputados da comissão parlamentar dos Negócios Estrangeiros sobre a redução de pessoal na base das Lajes, informou, esta semana, o deputado Filipe Lobo d'Ávila.

Os Estados Unidos anunciaram a 08 de janeiro uma redução gradual dos trabalhadores portugueses da base das Lajes de 900 para 400 pessoas ao longo deste ano, e dos civis e militares norte-americanos de 650 para 165, com o objetivo de adequar as capacidades militares às necessidades operacionais.

Com a redução de pessoal na base açoriana, o Governo norte-americano prevê uma poupança anual de 35 milhões de dólares (29,6 milhões de euros).

 



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