Comissão de inquério sobre a SATA subscrita por toda a oposição

Comissão de inquério sobre a SATA subscrita por toda a oposição

 

Lusa/AO online   Regional   15 de Jan de 2015, 17:09

Todos os partidos da oposição nos Açores vão subscrever o pedido de constituição de uma comissão de inquérito parlamentar sobre a situação da companhia aérea SATA, proposta pelo PSD na terça-feira.

 

O plenário do parlamento dos Açores realizou esta quinta-feira um debate de urgência sobre a empresa, pedido pelo CDS-PP, que revelou que toda a oposição vai juntar-se ao PSD naquela iniciativa.

Esta é a segunda vez esta semana que o parlamento açoriano debate a situação da SATA, que na semana passada apresentou um plano de desenvolvimento estratégico até 2020 onde assume a sua "deterioração financeira", com uma dívida de 179 milhões de euros, revelando que vai reduzir frotas e custos e abandonar rotas.

Já esta semana, foi divulgado um outro documento, com o mesmo nome, mas mais extenso, e que a empresa diz ser confidencial, que integra outras informações sobre os problemas financeiros da SATA e os associa ao não pagamento de dívidas do Governo Regional.

No debate de hoje, Artur Lima, do CDS-PP, considerou que foi a gestão socialista da empresa que a levou ao "descalabro" e acusou o executivo regional de "sonegar propositadamente informação" aos deputados.

O presidente do PSD/Açores, Duarte Freitas, acusou também o Governo Regional de ser "desonesto e incompetente", por tentar esconder, com um "embuste", a forma como anda a gerir a empresa e por causa dos "resultados trágicos" da SATA.

Duarte Freitas afirmou que o Governo Regional tenta agora "virar o mundo ao contrário" e, através de "ruído e teorias de conspiração", culpa a oposição por se ter descoberto a verdadeira situação da empresa.

Além disso, acrescentou, o Governo Regional queria que o parlamento não discutisse dados de um documento que andava a ser citado nas redes sociais e meios de comunicação.

"Este Governo foi atropelado pela verdade", disse o social-democrata, exigindo "transparência" ao executivo e ao PS.

O deputado do PPM, Paulo Estêvão, condenou a "estratégia errada" que "o PS introduziu" na SATA, como a aposta em rotas deficitárias "ao longo de anos" sem que isso tenha tido "sequer resultados sustentáveis" ao nível do turismo.

Zuraida Soares, do BE, voltou a considerar que o plano estratégico da SATA prevê, na verdade, despedimentos, ao contrário do que a empresa e o Governo Regional têm dito.

Nas contas do BE, os cortes de custos previstos pela empresa até 2020 equivalem ao despedimento de 350 pessoas, o que foi negado pelos socialistas e pelo secretário regional dos Transportes, Vítor Fraga, que insistiu em que o plano da SATA foi construído para garantir "a sustentabilidade" da empresa e "a preservação dos postos de trabalho".

Aníbal Pires, do PCP, que disse que um dos motivos por que subscreve a comissão parlamentar é para não ficar excluído dos trabalhos, considerou inadmissível que o plano estratégico da SATA preveja a possibilidade da suspensão do acordo de empresa.

No que toca à questão financeira, disse que a situação não será tão grave quanto se tentou passar para a opinião pública se os governos nacional e regional pagarem aquilo que devem à companhia.

Aníbal Pires foi o único deputado da oposição que condenou a divulgação pública de um documento confidencial da empresa, mesmo que alguns dos dados ali contidos pudessem e devessem ter sido fornecidos aos deputados.

A maioria socialista voltou a apelar ao PSD para discutir a estratégia da empresa e o seu futuro.

O deputado do PS Francisco César acusou ainda o PSD de "falta de escrúpulos" e "irresponsabilidade" por divulgar informação confidencial da empresa.

Já o secretário regional Vítor Fraga lembrou que os sindicatos elogiaram o plano da SATA e disseram que a empresa "é viável" e que "está bem entregue".

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