Comey tomou notas das conversas com Trump porque temeu que este "mentisse"

Comey tomou notas das conversas com Trump porque temeu que este "mentisse"

 

Lusa/Açoriano Oriental   Internacional   8 de Jun de 2017, 17:04

O ex-diretor do FBI James Comey explicou que documentou, em notas escritas, as conversas que manteve a sós com o Presidente Donald Trump, porque temeu que este, mais tarde, viesse a "mentir" sobre o conteúdo das mesmas.

 

"Estava francamente preocupado que ele pudesse mentir sobre a natureza do nosso encontro", disse hoje o antigo diretor do FBI, no decorrer de uma audiência perante o Comité de Serviços de Informação (Intelligence) do Senado norte-americano.

Comey acrescentou que "sabia que chegaria o dia em que viria a precisar de um registo do que se passou".

"Não apenas para me defender, mas para defender o FBI", disse Comey aos senadores.

O ex-diretor recordou que, nos seus oito anos de mandato, apenas se reuniu com o presidente Barack Obama (no cargo entre 2009 e 2017) em três ocasiões, e que nunca sentiu necessidade de documentar estes encontros.

Comey insistiu que Trump reconheceu várias vezes o seu bom desempenho à frente do FBI.

"Não sei por que razão fui despedido", disse Comey. "Talvez pela forma como estava a dirigir a investigação russa [sobre a alegada ingerência da Rússia nas eleições presidenciais de novembro de 2016] e por causa da pressão que tudo isto exercia" sobre Trump, acrescentou.

Comey foi despedido a 09 de maio por Trump, que alegou que o diretor estava a deixar o FBI "num caos".

O antigo responsável também declarou hoje que o Presidente Donald Trump não lhe ordenou, especificamente, que parasse a investigação sobre a alegada ingerência russa nas presidenciais, mas que o instruiu nesse sentido.

"Diretor Comey, o Presidente pediu-lhe, em algum momento, que parasse a investigação do FBI sobre a ingerência russa nas eleições americanas de 2016?", perguntou o presidente do Comité de Serviços de Informação [Intelligence], Richard Burr, no decorrer de uma audição no congresso ao antigo diretor do FBI.

"Não", respondeu Comey, dando a mesma resposta à questão sobre se "algum indivíduo da administração" Trump o tinha feito.

Segundo Comey, não houve uma ordem explícita nesse sentido, mas o ex-diretor interpretou uma conversa com o Presidente Trump como “uma instrução” para abandonar as investigações.

Na quarta-feira, numa declaração escrita enviada ao Congresso, James Comey tinha adiantado que Donald Trump lhe sugeriu que abandonasse a investigação a Michael Flynn, ex-conselheiro envolvido no caso da alegada ingerência russa nas presidenciais.

Relatando um encontro realizado a 14 de fevereiro na Sala Oval (gabinete presidencial), Comey escreve que o Presidente Donald Trump falou com ele sobre a investigação relacionada com o ex-conselheiro de segurança nacional Michael Flynn, acusado de mentir sobre contactos com responsáveis russos, e declarou: “Espero que possa encontrar uma forma de abandonar isto, de deixar Flynn. É um bom homem”.


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