Chineses regressam às raízes para celebrar Ano Novo Lunar


 

João Pimenta, da agência Lusa   Internacional   27 de Jan de 2017, 14:18

A chinesa Xiaowang está prestes a percorrer de comboio os quase 2.000 quilómetros que separam Pequim e a sua terra natal, na província de Sichuan, numa viagem que repete todos os anos por esta altura.

"É fatigante", admite, sobre a jornada de 20 horas. "Mas esta data é muito importante para os chineses: é quando reunimos com a família", diz.

Por estrada ou por mar, de avião ou de comboio, milhões de chineses estão a caminho da terra natal para festejar a passagem do ano lunar com a família, na maior migração interna do planeta.

Trata-se da principal festa das famílias chinesas, equivalente ao natal nos países ocidentais, e começa este ano a 28 de janeiro, sob o signo do Galo, um dos doze animais do milenar zodíaco chinês.

Segundo o Ministério dos Transportes chinês, durante 40 dias, a China deve registar um total de três mil milhões de viagens internas.

Só os caminhos-de-ferro esperam transportar cerca de 360 milhões de passageiros - uma média de cerca de nove milhões por dia.

Na estação de comboios da região oeste de Pequim, o frenesim é constante: milhares de trabalhadores rurais, carregados com malas ou sacos de pano, iniciam o regresso a casa.

"Comprei os bilhetes com meio mês de antecedência", diz Chen Jinghuai, que vai viajar 17 horas de comboio entre Pequim e a sua terra natal, na província de Anhui. "Durante este período, esgotam rápido", conta.

Com um bebé de seis meses ao colo, a chinesa Yang Zhen explica que tem este ano nova companhia no regresso à terra natal: "É a primeira vez que o meu filho vai a casa", diz.

Para muitos dos 270 milhões de trabalhadores migrantes empregados nas prósperas cidades do litoral, está é a única altura do ano em que que reveem os filhos, que permanecem geralmente com os avós no interior do país.

"Casa significa para mim um lugar de afetos; um porto seguro", conta Wu Shen, estudante numa universidade de Pequim. "Todos os anos regresso para estar junto com os meus pais".

Todas as escolas, do ensino primário ao superior, fecham durante um mês. Para muitos trabalhadores, as folgas e feriados concedidos nesta quadra pelo Governo e as empresas constituem as únicas férias do ano.

Na China e em todas as 'chinatown' espalhadas pelo mundo, os edifícios são engalanados com lanternas vermelhas, enquanto nas ruas se lançam petardos e fogo-de-artifício para "afugentar os maus espíritos'.

Galos de vários tamanhos e feitios ornamentam as lojas e os centros comerciais.

Consultado pela agência Lusa, um mestre de Fengshui, o milenar sistema originário da China que procura a harmonia com os elementos da natureza, diz que este será um "excelente" ano para casar.

"O equinócio da primavera de 2017 e 2018 calham ambos no ano do Galo", explica o mestre Wang Hao.

No registo cronológico da China - o mais antigo do mundo - o primeiro dia da primavera deste ano calha no dia 3 de fevereiro e, em 2018, a 4 de fevereiro - ambas as datas dentro do ano lunar do Galo.

Já o ano do Macaco, que chega esta semana ao fim, "foi o ano da viúva" - o pior para se casar, visto que o primeiro dia de primavera ocorreu ainda no ano anterior (o ano da Cabra).

No entanto, o ano lunar do Galo não será bom para ter filhos rapazes.

"Para um homem ser do signo do Galo não é bom", diz Wang.

Porém, a abolição da política de filho único na China, desde 2016, deverá fazer com que muitos casais ignorem as leis do Fengshui.

"Os casais mais velhos têm alguma pressa em ter um segundo filho", explica Wang. "E para quem casar este ano, a vontade de ter logo um filho será também grande".


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