Chile e Portugal homenageiam açoriano que descobriu Pablo Neruda


 

Lusa/AO online   Regional   6 de Mai de 2016, 15:49

Uma exposição sobre Carlos Nascimento, natural do Corvo, que descobriu o poeta chileno Pablo Neruda, vai estar patente a partir de terça-feira, e até 31 de agosto, na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa.

De acordo com o sítio na Internet da instituição, a mostra é organizada pela Biblioteca Nacional do Chile, com a embaixada do Chile em Lisboa, e pela direção de Assuntos Culturais daquele país, em parceria com a Biblioteca Nacional de Portugal (BNP).

Carlos Nascimento, que nasceu em 1885, abandonou a ilha do Corvo ainda jovem, acabando por se transformar numa referência das letras chilenas do século XX.

Chegou ao Chile, em busca de um tio, João Nascimento, dono da livraria Nascimento, espaço que mais tarde herdou e usou como rampa de lançamento da sua editora, que viria a publicar as primeiras obras do Nobel da Literatura de 1971, Pablo Neruda, nomeadamente a edição original de "Vinte poemas de amor e uma canção desesperada", publicada em 1924.

A relação entre Carlos Nascimento e Pablo Neruda foi mais do que profissional e prolongou-se "por muitos anos", desde a juventude do poeta até à morte do editor, em Santiago do Chile, em 1966, segundo disse anteriormente à Lusa uma das netas do corvino, Leonor Nascimento, que vive atualmente em Itália.

No dia 17 de junho de 2015, a Assembleia Legislativa dos Açores aprovou, por unanimidade, um projeto de resolução, apresentado pelo deputado Paulo Estêvão, do Partido Popular Monárquico (PPM), eleito pelo Corvo, que recomendava ao Governo Regional a criação, até ao final da presente legislatura, de um roteiro cultural dedicado à vida e obra de Carlos Nascimento.

O diretor regional da Cultura dos Açores assegurou, em recentes declarações à Lusa, que, até ao final do ano, o roteiro cultural de Carlos do Nascimento vai estar concluído na ilha do Corvo, integrado no ecomuseu local, tendo sido solicitado a Jorge Saramago, professor da Faculdade de Letras, que é corvino, a sua elaboração.

Aquele responsável acrescentou que, com o docente, está a ser estudada a estrutura do roteiro do editor açoriano, que será diferente de outros desenvolvidos pelo executivo regional, uma vez que os elementos relativos à presença de Carlos Nascimento na ilha "não são tão evidentes", porque a abandonou muito novo.

A vida e obra de Carlos Nascimento, que voltou uma única vez à ilha do Corvo, já gerou um filme do realizador Zeca Medeiros, denominado "O livreiro de Santiago", que pode ser visto na Biblioteca Nacional, em Lisboa, no âmbito da exposição, no dia 12 de maio, às 18:30, com entrada livre.

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