CGTP "extremamente preocupada" com consequências da saída de trabalhadores

CGTP "extremamente preocupada" com consequências da saída de trabalhadores

 

Lusa/AO Online   Regional   11 de Set de 2015, 13:10

O dirigente da CGTP nos Açores manifestou-se esta sexta-feira "extremamente preocupado" com as consequências que "ainda podem resultar", para a ilha Terceira e para a economia dos Açores, do início da saída de trabalhadores portugueses da base das Lajes.

 

“Como dirigente sindical não só da CGTP, mas que tem acompanhado esse processo já há praticamente 14 anos, esta é uma altura difícil, um momento muito mau para mim enquanto dirigente sindical e estou extremamente preocupado com as consequências que ainda podem resultar dessa situação”, afirmou Vítor Silva aos jornalistas, após uma audiência no Palácio de Santana com o presidente do Governo Regional dos Açores.

Cerca de quatro dezenas de trabalhadores formam hoje o primeiro grupo de funcionários portugueses a deixar a base das Lajes, na ilha Terceira, depois de terem assinado rescisões por mútuo acordo.

Até março, segundo a comissão de trabalhadores, este número deverá crescer para perto de quatro centenas, com a saída faseada, quinzenalmente, dos trabalhadores, no âmbito da redução da presença norte-americana na base portuguesa.

Para Vítor Silva, a situação é preocupante porque em causa está “a perda de 350 postos de trabalho”, o que considerou “muito significativo” para a ilha Terceira e para os Açores.

“Para além desses que vão ser afetados diretamente, existem centenas de outros que a partir de hoje vão sofrer também consequências dessa situação”, salientou o dirigente sindical, para quem, “em termos gerais, o que foi feito nos últimos tempos era efetivamente aquilo que podia ser feito, mas tudo o que foi feito para trás foi muito mal feito”.

Segundo o responsável, esta situação só aconteceu porque não se conseguiu precaver a tempo muitos destes casos, apesar de a CGTP ter apresentado há anos propostas que poderiam ter evitado o atual cenário. Como exemplo, apontou o facto de desde 2003 a CGTP defender a ideia de criação de um contingente mínimo de trabalhadores portugueses na base das Lajes.

O presidente da Comissão Representativa dos Trabalhadores (CRT) portugueses da base das Lajes, Bruno Nogueira, já disse à Lusa que o processo "parece bem encaminhado" e que os trabalhadores que aceitaram sair "sentem que este é o passo lógico".

As rescisões por mútuo acordo já terão sido todas assinadas, apesar de a CRT não saber ao certo se os 421 trabalhadores a quem foi proposto o acordo aceitaram assiná-lo.

Na última reunião da Comissão Bilateral Permanente entre Portugal e os Estados Unidos da América (EUA), realizada, em Washington, a 17 de junho, os norte-americanos comprometeram-se a aumentar o número de vagas a manter para trabalhadores portugueses de 378 para 405.

Depois dessa reunião, foi realizado um inquérito vinculativo aos trabalhadores portugueses e 440 manifestaram interesse em assinar rescisões por mútuo acordo.

Atualmente, a base das Lajes tem cerca de 790 trabalhadores permanentes, o que significa que bastariam 395 despedimentos para manter as 405 vagas pretendidas, por isso os norte-americanos enviaram apenas 421 cartas a propor rescisão.

Entre os que aceitaram deixar a base das Lajes estão muitos que já têm idade de reforma e outros que com 45 anos de idade, 15 de descontos e 10 de serviço na base das Lajes têm acesso a uma pensão extraordinária, até que atinjam a idade da reforma.

 

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