César considera acordo comercial com o Canadá o "mais progressivo" negociado pela UE

Regional /
Carlos César

1228 visualizações   

O presidente do grupo parlamentar do PS, Carlos César, considerou hoje que o acordo comercial assinado entre a União Europeia (UE) e o Canadá é o "mais progressivo, moderno e inovador" negociado por Bruxelas, regulando a globalização.
 

“É o acordo mais progressivo, moderno e inovador negociado pela UE, indo muito além das tradicionais questões alfandegárias, ajudando a regular e a controlar alguns aspetos mais perversos da globalização”, declarou Carlos César.

O também presidente do PS intervinha no colóquio “CETA (Acordo Global de Economia e Comércio (CETA) entre a União Europeia e o Canadá) – desafios e oportunidades para os Açores”, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, promovido pelos deputados socialistas açorianos eleitos para a Assembleia da República.

Carlos César afirmou que o CETA é um acordo com “importância geopolítica no atual contexto de crescimento das tendências protecionistas e de fechamento comercial” e que “beneficia Portugal também do ponto vista geopolítico, porque se desenvolve no eixo transatlântico”.

O dirigente socialista rejeitou a ideia de que os acordos de comércio livre causem desemprego e desindustrialização, que são gerados, na sua leitura, pelas transformações tecnológicas e uma economia baseada no setor dos serviços.

Carlos César referiu que, face à transição para um modelo de “produção fragmentada”, de cadeias de produção e abastecimento segmentadas em vários países e regiões, torna-se imperioso “estipular regras comuns que permitam a modernização da circulação mundial e a segurança dos bens e serviços, a par do investimento na inovação”.

“Quero, pois, concluir que os acordos de comércio servem, justamente, para convencionar quadros normativos, padrões de segurança, e outras regras comuns que ajudam a regular e a controlar a globalização. A frase-chave tem que ser, em todos os casos, ‘globalização sim, comércio livre sem regras não’”, disse o líder parlamentar socialista.

O dirigente socialista considerou que as práticas comerciais desleais “têm de ser evitadas, sob pena de as nossas economias produtivas serem muito prejudicadas”, tendo defendido a "necessidade de ajustar e adequar" os mecanismos de transição económica e laboral, como o Fundo Europeu de Globalização.

"Essa é, de resto, uma problemática emergente: são cada vez mais as funções empresariais e os empregos de hoje que não existirão amanhã”, declarou Carlos César.

Jeffrey Marder, embaixador do Canadá, em declarações aos jornalistas, à margem do colóquio, considerou que os queijos oriundos dos Açores podem ser um dos potenciais produtos a consumir pelos canadianos, na sequência do CETA.

O diplomata alertou para a necessidade dos Estados-membros da UE projetarem campanhas promocionais dos produtos que pretendem exportar, mas salvaguardou que a qualidade do produto “é muito importante”.

O presidente da Federação Agrícola dos Açores, também em declarações aos jornalistas, considerou que “tem havido negligência por parte dos industriais” na área dos laticínios, setor que assume “maior expressão” nas exportações para o Canadá.

Mário Fortuna, presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada, considerou que todos os acordos de liberalização comercial “são benéficos” para os Açores porque “abrem hipóteses de exportações” ou "porque se podem adquirir produtos mais baratos".